quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

Sinais dos tempos (1)


Antigamente bastava o professor entrar na sala, para que a turma fizesse silêncio e respeitasse o mesmo.
O professor era a máxima autoridade. Ele era como uma fonte e tudo o que dizia era absorvido com sede.
Ficávamos orgulhosos quando éramos chamados ao quadro ou nos pedia para começar a ler um texto. Um castigo de não ir ao intervalo era o suficiente para nos portarmos bem, por vezes, até ao final do ano.
Tínhamos prazer em nos juntar e fazer com as nossas mãos, uma prenda para lhe oferecer no dia do seu aniversário. E quando chegávamos ao fim ou do ciclo ou do ano lectivo e mudávamos de professor, ficava a saudade e todo o ciclo se repetia.


Hoje em dia o professor é uma mera pessoa que debita informação e que não vimos utilidade nenhuma.
Não tem presença em sala nem autoridade.
Se houver quem lhe chame nomes e o achincalhe, consegue chamar mais depressa a atenção da turma do que ele próprio.
A turma é o seu castigo. Muitas vezes tem sorte se lhe for apontada uma arma e esta for de plástico, ou levar um pontapé ou uma bofetada e não ficar marca, ou chegar ao pé do seu veículo e não estiver danificado.
E depois deste, vem outro por vezes sem sabermos sequer o seu nome.

10 comentários:

vício disse...

orgulho de ser chamado ao quadro? só se fosses tu! :D

PAULO LONTRO disse...

Porra,
ir ao quadro? chamado a ler?
fazer prendas para a prof.?

Não entendo como tinhas tantas moedas de 50 centavos lá em casa...

lol... ;)

najla disse...

Vicio, por acaso tinha.
Sabes, a professora da primária que eu tive, incutiu-nos essa vontade. Era para qualquer aluno dela um orgulho ir ao quadro, era sinal que ela reconhecia que nós sabíamos. Nunca fomos humilhados no quadro. Claro que foi SÓ essa professora...

najla disse...

Paulo, eu adorava ir ao quadro, mas adorava ainda mais ler. E ainda gosto. Raramente lia mal e treinavamos os textos em casa para no outro dia ler na aula. O facto de ser muito rebelde em casa não se reflectia na aprendizagem na escola. Em todos os anos de escola apenas fui chamada uma vez ao conselho executivo...

Espelho meu disse...

Eu estou contigo, também gostava de ir ao quadro, e era realmente uma honra...pelo menos no meu caso! eheh :)

É tão verdade e tão triste o que descreveste. Tenho muita pena que os miudos de hoje não saibam qual é a essência de um professor como nós a conheciamos...
Na altura ouvia sempre que a escola era uma segunda casa, e era mesmo...

A esperança morre em último, e por esse motivo quero acreditar que isto irá mudar um dia...!

Beijokinhas*

Ricardo Cataluna disse...

Que belo post! Subscrevo inteiramente esta visão!

Tatiana disse...

A realidade hoje é outra... as pessoas perderam certos valores como respeito e consideração... o professor fica desvalorizado e a Educação sem qualidade.

Muita coisa precisa mudar... pois educação começa em casa...e muitos pais não se preocupam com isso!

Para mim dias especiais são aqueles que compartilhamos com pessoas que nos fazem bem... por isso estou aqui. Junto de Ti meu dia ganha muito mais cor!
Obrigada por sua amizade, carinho e presença em meu blog.

Um beijo carinhoso

Nelson Soares disse...

Concordo e subscrevo a Tatiana. Podia muito bem ser mais um exemplo de como a mudança pode não ser benéfica mas é bem mais do que isso: é um perigo eminente que se mostra a cada dia e aumenta na mesma proporção...


STay Well

entremares disse...

É a minha primeira visita a este blog... mas não resisti a deixar um pequeno comentário...

Já fui aluno, e nem sempre gostava de ir ao quadro. Dependia da disposição, do assunto, do professor, da carteira onde me sentava, sei lá... tanta coisa.
Tive professores horríveis, professores sofríveis, professores magníficos.

Hoje, sou eu o professor.
E reconheço o texto do post como um espelho do muito que existe hoje... por aí.

Mas deixem-me que vos diga um par de coisas, e se não concordarem, têm todo o direito de protestar:

Eu não me atraso a entrar na sala de aula, e como tal, não permito que os alunos se atrasem.
Eu apagao o quadro no final da aula, e como tal, exigo que os meus colegas façam o mesmo comigo.
Eu não atendo telemóveis na sala de aula, e como tal, não tolero que os alunos também os usem.
Eu não tento humilhar os alunos que não sabem a resposta certa, e como tal também não admito que eles se tentem humilhar a eles próprios.

Não sou nem melhor nem pior que todos os outros. Mas faço o que posso.
Posso não conseguir mudar tudo o que gostaria de mudar... mas, que diabo, ainda não parei de tentar.

P.S. Desculpem o tamanho do comentário, saiu mais longo que o esperado.

najla disse...

Entremares, muito bem vindo!
Você é professor. Eu não sou. Eu apenas estudo os factos sociais e todas as mudanças e as causas inerentes às mesmas. Eu convivo diariamente com os professores e com os alunos. Eu ouço as duas partes e deixe que lhe diga que ainda há professores com P maiúsculo. Ainda há quem lute e tente fazer da escola a tal dita "2.ª casa" que nós estavámos habituados. Mas também os há que são cumplices da degradação do ensino e dsa relações humanas. Se você ainda é um lutador, então parabéns, porque vocês já são poucos! Também tive professores horriveis. Tive professores que nunca se deram ao respeito. Mas aí funcionava a educação que recebiamos em casa....e isso já é assunto para outro post! (heheheh)
Obrigada pela sua visita e esteja sempre à vontade para partilhar a sua opinião!
Beijinhos