segunda-feira, 4 de maio de 2009


O primeiro-ministro de Portugal, José Sócrates, esteve, esta sexta-feira, dia 1 de Maio, dia do Trabalhador, na Ovibeja, Beja, Baixo Alentejo (desculpem fazer esta referência mas foi noticiado na televisão pública, que Beja pertencia ao Alto Alentejo).
E no seu discurso ensaiado, falou na dimensão sócio-económica que a Barragem de Alqueva tem e os beneficios que tem trazido para o desenvolvimento da região e o grande investimento privado.
Como o sr. P.M. só deve olhar para números e não deve conhecer a realidade desta região, (até porque muitas azémulas que estão no poder só conhecem o Alentejo no mapa), gostaria, um dia, e teria todo o prazer de lhe fazer uma visita guiada ao Alentejo real, de preferência sem toda a comitiva que o acompanha e que só lhe mostra um pseudo-Alentejo.
Assim, apenas posso desabafar neste post, com o meu simples discurso.
A Barragem de Alqueva trouxe alguns benefícios, enquanto esteve a ser construída, devido à mão-de-obra que requeria. Mas também, deixem-me dizer que a pior parte da construção foi feita por mão-de-obra estrangeira (claro que houve muito dinheiro mal empregue e distribuído, mas isso é para outro post).
Terminada a obra, e devido ao aumento do preço das terras nas margens do rio (desde que não estivessem submersas) e arredores, os proprietários venderam-nas, na sua maioria, para os nuestros hermanos. Estes, os tais que o sr. P.M. referiu como investimento privado, trazem da sua terra toda a maquinaria. Porquê? Porque para além de ser muito mais barata, os impostos também são muito mais baixos. E para além da maquinaria, trazem os pessoal técnico.
Investimento há. Mas este investimento emprega pouca mão-de-obra portuguesa.
E a grande maioria dos investidores, dedica-se à produção intensiva de olival e de vinha, o que daqui a uma dezena de anos, as terras estão completamente esgotadas.
Mas se fosse eu a plantar oliveiras com 1 metro de distância, umas das outras, cairiam em cima de mim, todo o tipo de fiscais e mais alguns....
Mas eu até percebo porque é que preferem mão-de-obra especializada dos seus países.
A cerca de 12 km da minha terra, existe uma grande herdade que pertence ao estado. Esta herdade, à cerca de uns 20 anos, era uma "mina de ouro". Tinham 2 ou 3 engenheiros agrónomos que andavam no campo e sujavam as botas de lama, mas acompanhavam o pessoal na labuta. Chegou a empregar cerca de 100 pessoas. E ali havia de tudo: criação de vacas, cabras, porcos, ovelhas; olival; plantações de cereais; vinhas.
Com a exigência de que a mão-de-obra tem de ser especializada e de preferência com curso superior, neste momento, dentro dos escritórios estão cerca de 20 engenheiros (que vão de fato e gravata e sapato fino) e têm a trabalhar no campo cerca de 3 pessoas. Sem falar nas dívidas que têm no comércio local.
Se calhar se olhasse para as pessoas em vez de olhar para números, perceberia o que realmente se passa por este Portugal fora. Se calhar se os nossos governantes locais lhe mostrassem o Alentejo, o sr. P.M. não diria tantas asneiras na televisão.
E assim poderíamos dizer que "isto é o Alentejo real, sr. P.M.".
E digo-lhe mais uma coisa, de nada tem de porreiro.

8 comentários:

vício disse...

e pensaste em lhe indicar onde era a Aldeia da Luz original para ele fazer uma visita (sem pressas)?

ML disse...

Só falam de boca, sem conhecer as realidades. Idiotas.

Walter Fane disse...

CLAP CLAP CLAP.
Bloco de Esquerda forever!

PS - Pois sim... já passei por uma fase muito consumista, mas agora estou na fase do instisfeito!

Bjooooooooooooooos

najla disse...

Vicio, eu acho que a vida do sr. anda numa espécie de Aldeia de Luz submersa mas ele ainda não sabe!!!

najla disse...

ML, nem mais.

Walter Fane, ;)

beijos

Dry-Martini disse...

Está tudo certo menina mas tem de tratar o Zézinho por pá :)

XinXin

Denise disse...

Nada muda estejamos no pais que for,sera isso um perfil de todos os politicos do mundo?

fique bem

Denise

Osga disse...

Isto é um país de doutores....