terça-feira, 20 de abril de 2010

O tempo


Há semanas que não tenho um fim-de-semana, um dia de descanso. E se antes, tudo o que girava em torno de mim tinha de estar arrumado, metodicamente organizado, ter sequência ou a roçar quase o intocável, hoje nem penso sequer no amanhã e tento aproveitar cada minuto do dia, do presente.
Deixou-me de incomodar os brinquedos da minha filha espalhados por toda a casa ou das brincadeiras dela do faz-de-conta em que calça os meus sapatos, mete as minhas pulseiras e vagueia pela casa a dizer que vai "pó tabalho".
Delicio-me a preparar o jantar para a família pois sei que é um momento onde se contam todas as novidades e se fala do que cada um fez durante o dia.
Não me importo de ver o sofá desalinhado na sala, porque o arrastei para pé da lareira nem da manta polar que anda constantemente desalinhada.
Fico enternecida quando o meu sobrinho de 3 anos me liga e me pergunta quando o vou ver.
Não me incomoda perder 5 minutos frente ao meu jardim e ver como as minhas roseiras florescem.
Deixei de me chatear porque o tapete da sala não está convenientemente aspirado.
Descubro que o tempo que me falta não me faz assim tanta falta. Abandonei as coisas superficiais e dediquei-me, no tempo que tenho, a tudo o que verdadeiramente interessa porque afinal, "perder tempo em aprender coisas que não interessam, priva-nos de descobrir coisas interessantes" (Carlos Drummond de Andrade)

5 comentários:

Vício disse...

feliz de ti que meteste em prática algo que muitos concordam sempre, na teoria, mas que não se dedicam a seguir...

najla disse...

Pois Vicio, eu por norma também não sigo, fico-me pela teoria. Mas comecei a verificar que afinal a teoria também se pode meter em prática e dá melhores efeitos e resultados...;D

Ana Teresa disse...

"perder tempo em aprender coisas que não interessam, priva-nos de descobrir coisas interessantes" (Carlos Drummond de Andrade)

é verdade assim como o resto do post...e na opinião da minha mãe é um dos meus maiores defeitos...talvez ela devesse ler este post...talvez assim a minha mãe entendesse porque é que um dia ou outro a loiça fica por lavar e a minha justificação é "estive a fazer coisas mais importantes" não é uma desculpa esfarrapadas existem efectivamente coisas mais importantes na vida que a loiça ou quem fez o quê. quem diz a loiça diz um monte de outras coisas como programas de tv inúteis ou cusquices inúteis, o preocupações excessivas com o que está fora do nosso controle...coisas ás quais damos demasiada importância.

TM disse...

O tempo pode ser o nosso melhor aliado.... basta nós sabermos lidar com ele... ;)

Valéria Gomes disse...

É isso aí. Olha quanto tempo perdemos com o que pouco interessa, deixando de viver aquilo que, verdadeiramente importa!
Sábio poeta!

Beijocas!!!