quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Uma definição de amor



"Laura,

Escolher um presente para ti foi para mim tão novo, que demorei a perceber como poderia na verdade ser tão simples.
E perguntei, numa espécie de inquérito aos costumes, o que se costuma oferecer nos baptismos. Eu, que sou avessa a esses rituais formatados e que cheguei mesmo a ralhar com a tua mãe por fazer isso.
E depois pensei, o que é que eu gostava mesmo de te oferecer. Assim de forma a que, se por acaso nós não nos cruzarmos mais, tenhas sempre uma recordação de mim. E que não seja uma roupa que já não serve, uma pulseira ou um anel que nunca uses ou um álbum de fotografias que te leve a pensar que as memórias se colam numa folha de papel ou plástico em vez de se agrafarem ao coração.
Por isso, Laura, ofereço-te um livro. Ainda que neste momento tenha pouco mais interesse para ti que o desenho de um menino de cabelo amarelo e um planeta estranho na capa. Mas eu não tenho pressa, Laura, e um dia vais aprender a juntar letras e entender que uma das maiores coisas que se pode oferecer a alguém é um lugar no nosso coração.
E no meu tu já tinhas um lugar antes mesmo de nasceres, porque nessa altura já eu gostava muito da tua mãe. Eu, que não me entusiasmo particularmente com bebés, dava por mim a olhar curiosa para uma ecografia, tentando perceber com quem eras parecida.
Por isso, Laura, o meu presente para ti é o desejo de que um dia, como esse menino de cabelo amarelo, tenhas a mesma vontade de ver todas as coisas, que deixes que o mundo te cative e que tenhas sempre tempo para conhecer todas as coisas e que não compres tudo pronto nas lojas (porque não há lojas de amigos, Laura).
Que vejas com o coração. Que ouças com o coração. Que fales com o coração.
Que o mundo gire à tua volta e que a vida aconteça dentro de ti e não lá fora.
Que gostes, como ele e como eu, de olhar à noite para as estrelas. Que escolhas uma para ti. Mesmo que seja uma pequenina demais para se avistar daqui. O que até é melhor! Assim, gostarás de olhar para as estrelas todas.
Como eu gosto."




A Nikky pediu a todos os seus seguidores que retirassemos o(s) post(s) que mais nos tocaram. Sem cair em exageros, copiaria quase todo o blog. Mas resolvi retirar apenas um...um que sei que foi escrito com o coração, como é o seu costume.
Um post que nasceu para o ser que nasceu de mim e que basta ler o titulo que a Nikky lhe deu para percebermos a dimensão do seu coração e da sua alma.

6 comentários:

Dry-Martini disse...

Já adorava esse post, agora gosto ainda mais .)

Uma beijoca imensa, para as duas
XinXin

Miss Strawberry disse...

Assim que o comecei a ler, vi logo que este texto só podia ser da Nikky! Um beijinho para ela. Eu, se pudesse, também copiaria o blog por inteiro!

Bjs

Tatiana disse...

Que lindo!
Uma carta que merece realmente ser lida e relida muitas e muitas vezes!
Belíssima escolha!

Beijos com meu carinho

Vício disse...

essa parte do mundo girar à volta dela é complexa! não por ser uma mostra de egocentrismo mas porque pode influencia-la ao alcoolismo... :D

Rui da Bica disse...

Mesmo sem conhecer o blog da Nikky, que irei ver de seguida, parece-me uma excelente escolha.
Nota-se que as palavras vêm lá do fundo, de um coração que sente de verdade.
Parabéns à Nikky.
.

Ana disse...

=)