terça-feira, 5 de janeiro de 2010

A carta


Podia escrever tanta coisa. Podia começar com tantas frases. Podia mas não o vou fazer. Comecei a escrever esta carta faz tempo. Tempo já sem tempo. Um tempo já perdido. Pensei escrever esta carta julgando ser mais fácil dizer palavras que a minha boca já esqueceu. Palavras que jurei não mais pensar, palavras que julguei terem morrido.
Queria falar-te da cor do teu riso e do arco-íris que te envolve e me envolve.
Queria falar-te da melodia do teu beijo. Queria falar-te deste sentimento que cada dia que passa cresce, cada dia que passa se transforma e ganha corpo e começa a dominar o meu peito, os meus sentidos, o meu desejo.
Escrevo-te esta carta para te pedir que decifres este tormento que tantas vezes me leva à loucura, ao êxtase como à mansidão, à calmia.
Podia ter começado esta carta por uma frase simples, que sei que existe mas que nunca julguei encontrar no meu dicionário.
Peço-te, então, nesta carta, que me alumies o meu caminho, que sejas tu a pessoa que acompanha os meus passos, que sejas tu a pessoa que sobe as mesmas montanhas que eu e que se refresca nas águas calmas da minha vida.
Levei tanto tempo a escrever esta carta mas afinal as palavras que julgava perdidas, amorfas e inexistentes, estavam tão à vista, tão pertinho do teu peito, tão juntinho do teu coração.

4 comentários:

Vício disse...

fizeste bem em escreve-la!

(é que podias demorar demasiado tempo e sabes que as cataratas são normais na velhice e com elas já não podias ver essas coisas todas...)

NI disse...

E qualquer palavra que eu escreva a título de comentário será amorfa face ao texto que escreveste.

:)

Beijo

Tatiana disse...

Uma lindíssima carta- Declaração!

Que as palavras alcancem o destinatário e toquem o seu coração!

Beijos com meu carinho

Miguel disse...

Que bom que seria que sempre que se estende uma mão com tanto amor houvesse alguém que lhe pegasse e a juntasse ao coração... para ficarem contagiados para sempre...

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