sexta-feira, 19 de março de 2010

Hoje vesti-me de negro. Não por rebeldia, como meu costume. Mas porque hoje a alma está de luto. Está pesada e dorida. Meto os óculos escuros para refugiar os olhos, já cansados, já dormentes das lágrimas. Apesar de já ter enfrentado a morte umas quantas vezes, cada vez é sempre diferente e quase como se fosse a primeira vez. Os familiares vão-se indo e de cada vez pensamos que a próxima será mais fácil, até tornarmos a experimentar.
Sinto o corpo pesado e apesar dos abraços de consolo, nada nos consola nem apazigua o aperto que sentimos no peito. O aperto do adeus, o aperto de nunca mais.
Apesar das palavras de esperança que o sacerdote debita, da vida eterna e do possível reencontro, continuo sem conseguir aceitar a despedida e continuo a achar que realmente é para sempre. Mentalizo-me que quem deixa este mundo terrestre, olhará por mim mas por breves momentos até que a dor e o choro compulsivo tomem, novamente, conta de mim.
E num último adeus, pergunto-me porque não tive mais um dia, mais um mês, mais um momento que dizer tudo o que gostava de dizer e dar todos os abraços que gostava de ter dado. Regresso à vida, com o coração apertado, com um cansaço visível no rosto e esperar que na próxima despedida, eu tenha conseguido aceitar que "a morte é a curva da estrada, morrer é só não ser visto." (Fernando Pessoa)

4 comentários:

TM disse...

Neste momentos as palavras perdem todo o sentido... mas é bom saber que os amigos estão disponíveis para nós...
E se de alguma forma eu puder ajudar.... estarei aqui...

Raio-de-Luar disse...

Nestas alturas nunca tenho palavras. Prefiro um abraço no silêncio de quem entende a dor que se sente. Aqui te deixo o meu... com carinho!!

Valéria Gomes disse...

Para ti, um abraço bem quentinho e apertado! Se precisares, cá estou.

Ana Teresa disse...

Olá Najla eu sou a Nagareboshi mas agora uso o meu nome não sei se viste o post no triângulo. vi este post e decidi que te vou contar uma história que pouca gente sabe...na noite a seguir ao enterro da minha avó que era como uma mãe para mim, mãe de espírito como ela dizia, eu sonhei com ela, sonhei que ela se sentava na minha cama que me tocava no ombro e que trazia na mão um bolo de iogurte quente ainda dentro da forma tapado com um pano com galos de Barcelos que ela tinha na cozinha dela(feio que até doí XD)...ela deu-me o bolo e eu perguntei-lhe porque o trazia e ela disse-me que era má educação visitar alguém e não levar nada para oferecer ( uma das coisas que aprendi com ela e se tornou vicio)...eu fiquei triste e disse-lhe que tinha medo de nunca mais a ver e ela disse-me para não ter que ela estava feliz...eu gosto de acreditar que era mesmo ela, porque a voz a estatura as manias os gestos e o sotaque eram dela mas se não fosse fico contente de saber que a imagem dela ficou de tal modo impressa no meu cérebro que ela há de viver comigo enquanto eu viver e acho que foi isso que o padre quis dizer, que as pessoas que amamos vivem dentro de nós...por isso lembra-te.