quinta-feira, 30 de abril de 2009

Sinto, apenas


Sinto-te longe. E sinto-me perdida.
Sinto que o teu corpo não procura o prazer do meu.
Sinto que o teu beijo não tenta saciar-se nos meus lábios.
Sinto que o teu olhar já não é mais meu.
Sinto que a tua procura, cessou.
Sinto que aqueles momentos de riso, foram trocados por uma feição muda.
Sinto que as tuas mãos não anseiam o meu toque.
Sinto que o teu pensamento já não me é fiel.
Sinto que o amanhã não nascerá e que os ponteiros do relógio andam ao contrário.
Sinto que sinto tamanha tristeza por sentir o que já não sentes.

quarta-feira, 29 de abril de 2009

As cores da moda no Alentejo para esta estação

Verde


Vermelho

Roxo

Branco


Amarelo

Fotos: Najla

terça-feira, 28 de abril de 2009

Digam-me...


Quem é que no seu perfeito juízo e nos seus modos mais rebuscados, usa chavões no seu discurso do estilo: "tava montes de gente", "não há santo!", "de todo", "himalaias de bem e piscinas de chique", "que nadaaa", "podre de bom", "tsumanis de gajos", "paletes de people", "resmas de carros".... QUEM???

A sorte é que hoje, eu até estou muito bem humorada!!!

segunda-feira, 27 de abril de 2009

Grunf...


Se não bastasse ser segunda-feira, hoje apanhei trânsito no caminho.
Dos 32 km que percorro, deparei-me com um tractor, um "pápa-reforma" (ou "mata-velhos"...aqueles carros que não necessitam de carta para conduzir, mas que podem andar em quase todas as estradas), um camião e um rebanho de ovelhas!

É claro que estou stressada! Stressadíssima...

sexta-feira, 24 de abril de 2009

Solidão


Não tenho medo de envelhecer.
As rugas que vão tomando forma, foram testemunhas da minha história. Elas, em silêncio, traduzem mil palavras, gestos, actos e vidas. Não as receio.
Não tenho medo que os meus olhos percam a juventude, a expressividade, a beleza.
Através deles pude contemplar mundos e realidades.
Não receio o cabelo branco, nem as mãos frágeis. Não penso no andar mais demorado, nem na quebra de agilidade.
Não me importa que o meu corpo perca beleza e energia. Foi palco de mil e um abraço, de muito colo e amor.
Não me incomoda pensar que um dia terei muitos e muitos anos.
Mas tenho medo, muito medo até, de um dia, já com muitos e muitos anos, com os meus cabelos brancos, olhos sem esplendor, andar demorado e mãos tremulas, estar só!
Temo a solidão!

quinta-feira, 23 de abril de 2009


Como é possível que as palavras que saem da minha boca e do meu pensamento, palavras essas irreais recolhidas e resgatadas de uma irrealidade, se transformem em verdades, em dias, em momentos tão reais?
Trazia em mim, durante estes dias, a mágoa, um choro contido. Há que ser e parecer forte. Por nós, pelos outros. Jamais esmorecer. Jamais baixar olhos e a guarda.
Sentada na cama, que me parece tão grande, demasiado, tão vazia, questiono-me sobre a importância que damos à vida e às coisas, o caminho que percorremos, não que seja porque queremos, mas porque socialmente é aceite.
Questiono-me sobre as minhas exigências e obsessões.
Afinal, de que vale o robe e os sapatos alinhados e metodicamente arrumados, se não há ninguém que os use?
De que vale em cada divisão da casa, haver uma televisão, se necessito de silêncio?
Para que quero um sofá tão grande, se me aninho num canto?
Para que tenho tantos livros e tantos cd's, se nem me apetece ler, nem ouvir, nem abrir os meus olhos?
Porque guardo aquela blusa para momentos especiais se teimo em não usar?
Espero, ansiosa, companhia. Porque criei esperanças e fiz planos. Não admito desilusões, nem desgostos! Não agora! Não hoje! Não neste momento!

quarta-feira, 22 de abril de 2009

De regresso à rotina

Pois! Sei que estive ausente tempo demasiado. Não por lazer mas por dedicação e digamos, por quase desespero.
Mas as nuvens passaram e cá estou eu!
Claro que terei de me desdobrar para acompanhar quase 2 semanas de post's dos vossos blogues... E porque a minha inspiração começou a faltar ou talvez devido a esta pausa, perdi alguns seguidores. Mas também vos digo, vão-se os anéis e fiquem os dedos. E claro, poucos mas bons.
Meus queridos, como não tenho nem visto televisão, nem lido jornais nem nada minimamente actual e barracó-social (termo inventado por mim agorinha mesmo), que aconteceu neste país durante a minha ausência??? Hum???

quarta-feira, 15 de abril de 2009

Sem compreensão


Este aperto
Esta dor
Que desalento
Que tortura
Queima. Incendeia
Amor? Paixão?
Não! Vida Infame
Dor, tormenta
Aperto. Respiro
Desejo contido
Tempo inimigo
Dia, noite. Indiferença
Paz, espírito
Morte, leviandade
Pudesse refazer
Endireitar. Levantar
Chão. Pedras
Caminho torto
Dor que permanece
Aperto que sufoca
Este aperto
Esta dor.

terça-feira, 14 de abril de 2009

Made in Portugal


A grande maioria já viu pelo menos um episódio (na minha opinião) da excelente série "Dr. House". Não é que o dito senhor seja lindo! Mas a personagem que interpreta é, para mim, magnífica!
Agora imaginem, se de repente, estivéssemos dentro de uma cena típica da série do Dr. House?? Assustador, certo? Mesmo!

E se de repente o vosso cônjuge, aparecesse com sintomas que ninguém consegue perceber muito bem do que se trata? Aterrador, no mínimo!

E se de repente vocês se vêem tão almareados e desamparados, sem saber o que fazer, o que dizer, ou qual a reacção a tomar?

Neste país onde vivemos, existem muitos doutores House. Muitos que diagnóstico atrás de diagnóstico, tratamento atrás de tratamento, olham para vocês e vos dizem que tudo é "reservado" ou "indeterminado". Julgo que só o que falta mesmo é ir às nossas casas analisar tudo o que os possa ajudar. Pelo menos não dei por nada.

E se depois de tanta indecisão e de tanta espera, vocês dessem um murro na mesa? De nada servia! Se estão bem recordados do feitio do Dr. House, é impenetrável, inquestionável, ácido, implacável e acima de tudo, arrogante!

Só espero, como em quase todos os episódios da série, também tenha um final feliz! Sim, porque doutores House, há-os aos molhos...pelo menos no feitio!

quinta-feira, 9 de abril de 2009

Ai é?


Nunca pensei que ao publicar o post de ontem, recebesse tantos, mas tantos "elogios".

Realmente começo a ficar preocupada. Uma coisa é alguém que me conhece, achar-me um pouco, digamos, taralhoca, despistada, ou até mesmo, dando ouvidos a vozes angelicais, ché-ché.
Outra coisa, são as coincidências de ideias e de comentários de quem só me conhece virtualmente, com os restantes!
Pois, é caso para dizer, que se já existem muitas ideias parecidas, algo se passa....

Fora isso, aproveito para desejar a todos, uma boa Páscoa!
Tenham cuidado com os excessos, principalmente se vão conduzir ou se se vão pesar...

quarta-feira, 8 de abril de 2009

E anda uma mãe a criar um filho para ouvir isto!


A minha filha está constipada. E como é normal numa criança de 21 meses, fica muito impertinente e chorosa.
Como acordou a chorar, entrei no quarto dela, a fazer todo o tipo de macacadas. Realmente, calou-se!
Ao fim de um minuto (de macacadas) olho-a e vejo-a muito séria a olhar para mim. Com o dedinho apontado para a cabeça diz-me:
- Mãe, ché-ché!

terça-feira, 7 de abril de 2009

O que se pode esperar de mim às 3h da madrugada


Recebi a semana passada um e-mail de uma amiga intitulado, "compro um cão ou tenho um filho?".
E isto fez-me lembrar um episódio (infeliz) da minha parte, cerca de uns 7 anos, quando uma outra amiga, foi apanhada pelo marido, em casa com o amante. E ela completamente envergonhada e desesperada, saiu naquele instante de casa e foi a correr para a minha. Seriam cerca das 3h da madrugada.
Acordada num sobressalto, deixo-a entrar e tento acalmá-la:
Eu - Mas afinal o que aconteceu?
Ela - O J. apanhou-me! Eu julgava que ele estava de serviço e disse ao Z.M. para lá ir esta noite!
Eu - Oh rapariga...tu com o Z.M.?
Ela- Que queres? Eu sempre soube que o Z.M.tinha um fraquinho por mim....(entre soluços)
Eu - Mas porquê?
Ela - Eu sinto-me sozinha! O J. quando não está de serviço, vai à caça, vai para petiscos...sei lá. Estou sempre sozinha....
E eu, no meu momento mais glorioso e rebuscado, digo-lhe:
- Eh pá, se te sentias sozinha compravas um cão....ou um gato!!!!

segunda-feira, 6 de abril de 2009

Isto é que é um desafio


Já há uns dias que a ML e a Cátia, me tinham desafiado para partilhar 7 truques de beleza!
E isto para mim é que é um desafio e pêras! E porquê?
Simplesmente porque eu não tenho truques, apenas são alguns hábitos essenciais.

Mas mesmo assim vou tentar responder o melhor possível:

1- Tenho de ter sempre 2 qualidades de champô para o cabelo não criar habituação e não ficar áspero.

2 - Tenho todos os tipos de cremes: para mãos, corpo, pernas, pés, pescoço, face...mas raramente tenho tempo para os usar, com excepção do fim-de-semana.

3 - Raramente uso um par de sapatos 2 dias seguidos, para deixar que o sapato respire (não é pelo cheiro!!!! Apenas é o que é recomendado! Vocês.....)

4 - Só posso usar desodorizante creme, apesar da roupa por vezes ficar esbranquiçada...

5 - Tenho um grande estojo de maquilhagem mas raramente tenho tempo para me maquilhar.

6 - Não fumo, bebo apenas ocasionalmente mas faço outras coisas....(que fazem bem à pele)

7 - Quando me é possível, vou sempre fazer longas caminhadas.


Portanto, como podem ver, não são grandes truques!
E agora terei de seguir a condição do desafio, e passá-lo a 7 blogues.
E aqui vão (quem não tiver sido seleccionado e gostar do desafio, que se sinta desafiado):




Spritof (julgavas que te escapavas?)

M;


sexta-feira, 3 de abril de 2009

quinta-feira, 2 de abril de 2009

Será?


Não sei se é deste tempo primaveril, se é da mudança de hora, se é do excesso de trabalho ou da falta de descanso. Também poderá ser dos quilómetros que faço todos os dias ou apenas por estarmos quase, quase a acabar a semana. Ou simplesmente poderá ser de mim....


....mas ando tão, mas tão cansada que só me apetecia vir de pijama e almofada para o trabalho, para tornar a adormecer!

quarta-feira, 1 de abril de 2009

Dia 1 de Abril, dia das mentiras


"Há muitas explicações para o 1 de Abril se ter transformado no Dia da Mentira ou Dia dos Bobos.
Uma delas diz que a brincadeira surgiu em França. Desde o começo do século XVI, o Ano Novo era festejado no dia 25 de Março, data que marcava a chegada da Primavera. As festas duravam uma semana e terminavam no dia 1 de Abril.
Em
1564, depois da adopção do calendário gregoriano, o rei Carlos IX de França determinou que o ano novo seria comemorado no dia 1 de Janeiro
.

Alguns franceses resistiram à mudança e continuaram a seguir o calendário antigo, pelo qual o ano iniciaria a 1 de Abril. Gozadores passaram, então, a ridicularizá-los, a enviar presentes esquisitos e convites para festas que não existiam. Essas brincadeiras ficaram conhecidas como plaisanteries.
Em países de língua inglesa o dia da mentira costuma ser conhecido como April Fool's Day ou Dia dos Tolos. Em
Itália e em França é chamado respectivamente pesce d'Aprile e poisson d'Avril, o que significa literalmente "peixe de Abril"."
Retirado da wikipédia



Qual foi a maior mentira que já disseram neste dia?

terça-feira, 31 de março de 2009

Nunca tinha pensado assim sobre o meu trabalho


"Existem três tipos de mentiras: mentiras, mentiras sujas, e estatísticas."

Benjamin Disraeli

segunda-feira, 30 de março de 2009

Nem sei


Hoje, nem sei bem sobre o que escrever.

Não me apetece escrever sobre os meus planos agoirados de fim-de-semana, em que planeei fazer tanta e coisa e acabei fazendo niente!

Não me apetece falar do jogo Portugal - Suécia, onde os nossos queridos jogadores, fizeram só 26 remates à baliza sem fazerem um único golo.

Não me apetece escrever sobre o tempo que tive para ver telejornais e os erros ortográficos e o desalinho gráfico a que assisti, fora a falta de rigorosidade e a bendita concorrência!

Não quero discutir sobre aquela coisa que se dá pelo nome de Manuela Moura Guedes, completamente desfigurada, a apresentar o telejornal.

Não quero nem lembrar da continuação de um concurso que só não prima por ter lá a querida Manuel Luís Goucha e a histérica da Júlia Pinheiro...


Por isso, como é segunda-feira e estou um pouco mal-humorada, nem vou escrever nada!

sexta-feira, 27 de março de 2009

Toma lá e vai buscar


A falar sobre a beleza feminina, o meu colega mostra-me uma foto de uma amiga que, na perspectiva dele, considera ser uma mulher feia.

E num tom muito firme diz:

- Vou dar-te um exemplo de como eu a considero feia: o fosso de beleza entre esta minha amiga e tu é demasiado grande. E olha lá, que tu não és uma mulher deslumbrante....

quinta-feira, 26 de março de 2009

Pois...


Já alguma vez estiveram no meio de um olival, em plena noite, a contemplar as estrelas e foram interrompidos por um gigantesco tractor, que começou a desinfectar as oliveiras?
Ou foram corridos de um pomar, pelo cão de guarda, porque não vos deixava concentrar.... nas estrelas, claro?!?

quarta-feira, 25 de março de 2009

Teste...um, dois....experiência!


Teste:

Ao telefone:

Sogra - Estou?
Nora - Sim! Quem fala?
Sogra - Sou eu!
Nora - Olá! Diga....
Sogra - Era para saber como estava?
Nora - A menina está bem! Está a dormir agora...
Sogra - Sim, eu sei que a menina está bem! Eu pergunto como VOCÊ está.
Nora - Eu?
Sogra - Sim! Como se sente? Está melhor?
Nora - Eu? Você ligou para saber de mim?
Sogra - Sim! Como está?...

Opções:
Opção A - A Sogra teve uma premonição de que a Nora iria desta para melhor. E ligou a confirmar!

Opção B - A Sogra quis confirmar o estado da Nora para se rejubilar.

Opção C - A Sogra tem bom coração e preocupou-se.


Auxiliar: sogras boas, fadas madrinhas e pai natal não existem!

Nota suplementar: este teste foi inventado pela autora do blog. Quaisquer semelhança com outras realidades é pura coincidência.

terça-feira, 24 de março de 2009

Voei


Houve um dia em que fui perfeita.
Houve um dia que fui genial.
Houve um dia que juraste ter encontrado a cara metade.
Mas isso foi um dia!

A magia acabou. A sedução e o fascínio terminaram. A realidade impôs-se.
Deixei de ser a super-mulher.
Deixei de conseguir camuflar os sentimentos.
Avisei que não era a mulher convencional. Não consegui tirar excelente em todas as áreas. Apenas consegui ser excelente mulher, excelente mãe, excelente amiga e excelente profissional. No resto perdi-me! E afinal, o resto tinha muito mais valor!

Cansei de dar volta à vida em cima de salto alto. Doem-me os pés.
Cansei de mascarar a amargura e a incerteza, o choro e a mágoa com um sorriso, puxando o cabelo para trás da orelha e gracejando com algo. Perdi o ânimo.

Quantas vezes calei o dissabor e a agonia, para que tudo continuasse perfeito....jurei nunca mais!
Fiz de mim outra mulher, fiz de mim outra pessoa...por ti....para ti....por todos vós! Cansei!
Não suporto mais a ideia do silêncio.
Não consinto que me enfrentem e eu baixe os olhos.
Não admito que sustenham a minha vida e a minha vontade.

A máscara que fingi ter e ser minha caiu. A máscara que usei está gasta.
Vi uma fresta. Vi o sol. Vi que afinal apesar do caminho que decidi tomar, posso inverter.
Basta querer! Basta ter vontade! Basta voar!

segunda-feira, 23 de março de 2009

Vida


O ser humano, dependendo da sociedade e do meio onde vive, é criado, educado, ensinado e estimulado, a ser acima de tudo e por vezes, todos, perfeccionista e o melhor.

Neste mundo da não-oportunidade, do vale-o-que-vale, do bode expiatório, da competitividade, do salve-se quem puder, somos inebriados e deixamo-nos levar, como se nos mostrassem o maior e o mais brilhante tesouro. Não meios, só fins! E isto, isto é a vida! Não pura mas dura!

Numas breves pausas, existem os tais chamados momentos bons! Mas isso são pausas....

O dia-a-dia não anda. Corre a uma velocidade vertiginosa, estonteante, à qual e para a qual nós ainda não estamos biologicamente preparados!

Queremos tanto e lutamos tanto para sermos bons e por que não os melhores, na área profissional, familiar, de conhecimentos. Enfrentamos tempestades, tormentas e o pior dos ventos, de peito aberto e cabeça erguida. Carregamos o mundo e não pedimos auxilio. Remamos contra tudo e consideramo-nos fortes. Somos nós próprios que nos atormentamos, que nos devoramos, que nos martirizamos.

Mas existe um dia em que o corpo cede. O cérebro falha. E a vontade desaparece.

E afinal, de que vale toda esta azáfama, esta galopada, esta vida fútil, sem graça?
Afinal de que vale o empenho, a moral, a ética, o profissionalismo, o perfeccionismo?
Afinal, a vida pura nada nos pede em troca. A vida está ali para ser vivida e nós poucas vezes a escolhemos.
E assim, saída de uma hibernação ansiolítica, retomo as palavras, o dia-a-dia, a vida! Pura de preferência!

terça-feira, 17 de março de 2009

Amor,


calma…serenidade….paz…sossego…tranquilidade, tudo aquilo que me transmites e reporto em mim.
Fecho os olhos e não sonho.
Abro a boca e não falo.
Levanto-me mas não me mexo.
Irreal, talvez. Impossível, também.
Mas todos os sentidos apelam por ti. Necessitam de ti.
Qual dependência contínua que apazigua a agitação de todo o meu ser.
Sensação de bem estar, de manhã subtil e leve.
Não há pressas, não há incertezas nem barulho……..apenas a tua presença. Apenas o teu colo. Apenas a tua mente. Apenas a tua grandiosa alma.
Isto és tu e isto sou eu.


Já tinha publicado este texto.
Mas hoje, achei que o devia re-editar para, tal como naquela altura, sentir cada palavra.

segunda-feira, 16 de março de 2009

Menina dos olhos doces


Vieste, menina, bater à minha porta.
Menina mendiga, menina dos olhos de mel.
Estendeste a pequena mão dos teus singelos 4 anos.
Menina de pouca idade, onde os dias para ti são anos.

Num impulso neguei-te. Numa reacção irreflectida julguei-te como a tantos outros. Num momento deixei-te abalar, menina dos olhos doces.
Quando reconheci o meu erro, menina, corri. Procurei-te. Vasculhei as ruas, o jardim, o quarteirão.

Perguntei pela menina dos olhos de mel, sem eira nem beira. A menina que eu neguei, que deixei abalar...

Alguém me informa, menina, que afinal tens um lar. Tens uma família. Tens um colo. Apenas, menina dos olhos doces, mendigas por distracção com a lição bem estudada.

Afinal, menina mendiga, tens eira e beira.

E então porque choro?
E então porque sinto esta dor no peito?
E então porque me martiriza a culpa?

E então, menina mendiga, de olhos doces, que vieste bater à minha porta.

sexta-feira, 13 de março de 2009

Só eu!


Saí apressada de casa e não trouxe nada para comer. A meio da manhã tive fome.

Olho para um saco que o meu colega trouxe e vejo duas peças de fruta. Num tom muito seguro (e com cara de fome, de certo!), pergunto-lhe:

- Importas-te que coma a tua banana???

Nem vos conto a resposta.......

quinta-feira, 12 de março de 2009

Este post tem linguagem considerada chocante e pode ferir susceptibilidades


Este post é dedicado (sim! mereces um post) à ou ao ignóbil, parasita e frustrada/o que à cerca de 2 meses, me anda a dar toques para o telemóvel, a partir das 23h até "sabe-se lá quando" (gostaram do nome que eu inventei para designar muito tarde ou melhor, de madrugada?).

Este post é exclusivo para ti, tu que te dás ao trabalho (valha-nos a parvoeira) de te manteres acordado/a até altas horas, para carregares numa tecla do teu telemóvel, esperares uns segundos que se processe a ligação e ao fim de um toque, desligar.

Claro que não tendo tomates (isto usa-se para os dois sexos) para te identificares, e de certo não tendo vida privada nem intima, levas as noites perdidas a pensar em mim! Desculpa a minha falta de modéstia, mas só tu és responsável por tal!

Tu que ainda não deves saber que existem aparelhos com bateria ou a pilhas para melhor passar o tempo....ou ainda não sabes para que poderão também servir as mãos ou simplesmente, não descobriste que existem bonecas que de um sopro se fazem mulheres.

Para ti, que sendo uma pessoa solitária e talvez indesejada, não sabes que quando andamos perdidos neste mundo, sem muitas perspectivas de futuro, sem qualquer significado, rezamos!
Sim...reza muito, meu / minha filho/a. Pode ser que algum dia provoques algum milagre....

Também tenho que te confessar que o telemóvel tem o modo "silêncio". Ou seja, (passo a explicar, querido/a), eu só sei que tu levaste a noite (perdida) a tentar incomodar, quando DE MANHÃ vejo a carrada de chamadas não atendidas.

Se me incomodas? De modo algum! Tentas mas não consegues! Até porque outro entretenimento seria completamente desinteressante. Mas já agora alguma vez ouviste falar da televisão? De rádio? De um livro? De um tranquilizante? De sexo? Sei lá....porque essa insónia deve ser já crónica.

Nestes 2 meses, o dia que tu falhas já não é dia! Ou melhor, noite! Ou melhor, madrugada!
Mas torno-te a dizer, criatura desinteressante, não vences nem convences! Mas a falta de amor próprio deve ser muito agoniante. Não?

Por isso, para ti e só para ti, podes continuar a ocupar o teu triste tempo, comigo! Como não posso retribuir a dita atenção da tua parte, (porque continua aqui a tal falta de tomates para os 2 sexos), lembrei-me de te fazer este post, para te agradecer toda a atenção para comigo! Obrigada!
Assim poderei dizer a TODOS que tenho um ou uma admirador(a)...

quarta-feira, 11 de março de 2009

terça-feira, 10 de março de 2009

Se andarem à minha procura estou aqui


Com uma vantagem: não dou sermões! Apenas ouço e........suspiro!

segunda-feira, 9 de março de 2009

Assim vai o nosso Portugal


"Os portugueses da classe média/baixa, afectados pela crise económica, estão a fazer cada vez mais pedidos de ajuda à Cáritas, que, de norte a sul do país e regiões autónomas, apoia os mais necessitados.
A informação foi avançada à Agência Lusa por Eugénio Fonseca, presidente da Cáritas Portuguesa, no âmbito da Semana Nacional da Cáritas, que começa na segunda-feira e termina no dia 15 de Março.

«Estamos em tempos difíceis, de crise e desemprego, e é urgente que os cidadãos tenham consciência de que é necessário apostarmos na partilha dos bens entre a sociedade», diz Eugénio Fonseca.

Nas Cáritas Diocesanas, distribuídas pelo Continente e Regiões Autónomas dos Açores e da Madeira, «têm aumentado significativamente os pedidos de ajuda da classe média/baixa, de famílias que, de súbito, ficam no desemprego, fruto da crise que não cessa», segundo informa o presidente.
Na Diocese de Beja, a assistente social Ana Soeiro confirma que os pedidos têm aumentado e garante que, «ainda assim, há muitas famílias a passar por situações extremas de pobreza».
No refeitório social da associação, não param de aumentar os pedidos de refeições de «pessoas que deixam de conseguir pagar as rendas, por ficarem desempregas ou por não terem dinheiro que chegue para comer todos os dias, simplesmente».
Enquanto em 2007 o refeitório de Beja serviu 32.366 refeições, em 2008 esse número subiu para 41.690, um aumento de quase dez mil refeições.
«E só este ano, de Janeiro para Fevereiro, já houve mais quatro mil pedidos de refeições», alerta a assistente." "
Retirado tvi24 online

sexta-feira, 6 de março de 2009

As revelações

Depois de uma "acesa" discórdia com a PQI, aqui estão as "verdadeiras" e as "falsas", devidamente justificadas:

1) Tenho memória fotográfica.
MENTIRA - Sou péssima de memória e tenho de arranjar estratégias para não me esquecer das coisas.

2) Adoro gatos.
VERDADE - O meu animal preferido! Perdi já a conta do número de gatos que tive!

3) Já me tentaram trocar por 2 cavalos e uma herdade.
VERDADE - Ah pois é Vicio, aqui no Alentejo também há cavalos. Mas por acaso eram espanhóis. Um senhor espanhol (conhecido por ser o meu eterno apaixonado), que sempre me cumprimenta de beijo na mão, ofereceu isso aos meus pais. Ficámos amigos e ainda hoje ele, quando vem a Portugal, vem-me visitar (mas já não me tenta trocar por nada....porque será?)

4) Quando assisto a um jogo do Benfica, digo muitas palavras "isquisitas".
VERDADE - a justificação vê-se cada vez que assistimos a um jogo!

5) Tenho um sinal na palma da mão.
VERDADE - um sinal de nascença.

6) Detesto ir ao cabeleireiro.
VERDADE - só vou mesmo ao cabeleireiro quando já não faço nada do cabelo. E detesto os penteados esticados e direitinhos....tipo, engomadinhos!

7) Já apanhei valentes bebedeiras.
MENTIRA - aqui está o "busilis" da discórdia com a PQI. Eu considero de "valentes bebedeiras", aquelas em que tenha já perdido a minha postura, veja a casa a rodar e esteja meio enjoada. E neste aspecto só fiquei assim uma única vez. Claro que tenho ficado muitas vezes alegre. Mas não ao ponto de.....uivar!

8) Já pousei para uma revista erótica.
MENTIRA - a PQI achou que só pousaria para alguma revista de nadadores salvadores....nem percebi bem porquê! Adiante....

9) Sou consultada por familiares próximos e amigos, para casos de resolução imediata.
VERDADE - sempre assim o foi. Mas garanto que nunca meti a "mão na cintura e rodei a baiana" (Branca, Tatiana e Gabyshiffer é assim que se diz, ou melhor, se escreve?)


E sendo assim temos uma vencedora: a M.

quinta-feira, 5 de março de 2009

As 3 mentiras

Ora, aqui está o desafio das 3 mentirinhas, mais uma vez atrasado. Como já vem sido escrito e re-escrito por esses blogues "a fora", o desafio consiste em contar 6 verdades acerca de nós e 3 mentiras. Pois aqui estão as 9:
1) Tenho memória fotográfica.
2) Adoro gatos.
3) Já me tentaram trocar por 2 cavalos e uma herdade.
4) Quando assisto a um jogo do Benfica, digo muitas palavras "isquisitas".
5) Tenho um sinal na palma da mão.
6) Detesto ir ao cabeleireiro.
7) Já apanhei valentes bebedeiras.
8) Já pousei para uma revista erótica.
9) Sou consultada por familiares próximos e amigos, para casos de resolução imediata.
Não vou passar a ninguém pois acho que todos já responderam.
Mas quem ainda não foi desafiado, que se considere como tal.

quarta-feira, 4 de março de 2009




Se me tivesses pedido tinha ficado.
Teria inventado tempo no tempo para te amparar.
Um tempo que não existe. Um tempo irreal.
A tua vontade era saciada. A minha necessidade era satisfeita.

Uma necessidade inventada por mim, para ti.
Porque choro? Por desamor. Por querer amar-te e não conseguir.
Por querer gravar na minha pele o teu cheiro, a tua essência e não ficar.
A tua entrega desvanece nos lençóis. Desaparece na água que ouço correr.

Queria tanto poder recolher pensamentos. Pensamentos teus, de ti, de nós.
Mas eles não foram desbravados. Não os consigo alcançar. Não me fazem suspirar, arrepiar, desejar por mais.

Queria tanto que a minha boca sedenta de ti ficasse.
Dormente por cada beijo teu. De todos os silêncios contidos, queria pronunciar a palavra amor. Gritar em desalinho o fogo teu. Suspiro.

Porquê os meus olhos não seguem os teus?
Esforço-me para alcançar o teu horizonte. Em vão.
Queria que ficassem hipnotizados em ti.
Seguem outro vulto qualquer. Sem dono. Sem direcção.

Mesmo assim, se me pedisses tinha ficado.
Apesar da alma ausente, o corpo está presente.
E tinha inventado tempo no tempo para te amar.

terça-feira, 3 de março de 2009

Pensamento do dia (II)


"Podemos desiludir-nos com as coisas:
fazemos uma apreciação acerca delas e usamos o caixote do lixo.

As pessoas, porém, não são para julgar, mas para que ajudemos a construi-las, para que ajudem a construir-nos, para construirmos alguma coisa em conjunto.

Se o teu amigo te desiludiu, acusa-te a ti mesmo, porque era tarefa tua torná-lo mais nobre.

Se estás desiludido com a tua vida em família, lembra-te de que ela foi a tua construção.

E recomeça no ponto em que começaste a falhar."

Paulo Geraldo

segunda-feira, 2 de março de 2009

Espero ter-vos contagiado


Como a m#%$& do meu computador hoje entrou em greve e não me emite um único "piu", decidi cantar eu a única música que ouvi logo de manhã.

Como acontece com a maioria, a primeira música que ouvimos de manhã fica no pensamento ao longo do dia.

Por isso, meninos e meninas, como gosto de partilhar (pena é não ter gravado !!!!), esta é a melodia que grasno por estas bandas:

"Havia um pastorzinho que andava a pastorar,
Ao sair de sua casa, pôs-se a cantar:
"dó ré mi fá fá fá,
dó ré dó ré, ré ré,
dó sol fá mi, mi mi,
dó ré mi fá fá fá"

Chegando ao palácio, a rainha lhe falou:
"Alegre pastorzinho, o seu canto me alegrou"
dó ré mi fá fá fá,
dó ré dó ré, ré ré,
dó sol fá mi, mi mi,
dó ré mi fá fá fá"

E que tenham todos uma boa segunda-feira !!!!!

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

Como ser estúpida em 3 actos

1.º acto:
Ontem, eu e a minha irmã fomos assistir a um evento social. Ela vestida a preceito para a coisa, levava uns sapatos, os quais em plena calçada ficavam constantemente presos. Depois de algumas tentativas e um andar desajeitado, pega-me no braço para ver se conseguia disfarçar o mau andar.
Eu - Mas quem te manda a ti, trazeres uns sapatos desses se sabias que tinhas de andar em calçada?!?!
Ela - Querias que trouxesse ténis? Dá-me o braço e não digas nada. Não sejas estúpida!
2.º acto:
Depois do evento terminado, dirigimo-nos para o carro dela. Ao remexer vezes sem conta na mala, olha espantada para mim e diz-me que perdeu as chaves do carro. Tornou a procurar e nada. Decido ser eu a mexer na mala. Depois de ter tirado lá de dentro cerca de 30 objectos, resmungo:
Eu - Se andasses com uma mala em vez de andares com um baú, talvez achasses as chaves à primeira!
Ela - És mesmo estúpida! Isto não é hora de descascas. Ajuda-me a procurá-las!
3.º acto:
Como não as encontrávamos, decidimos ir à policia. E lá estavam as benditas chaves.
Policia - Podem ficar descansadas que estão aqui. Foram uns senhores de etnia cigana que aqui vieram deixar. Estavam na porta do carro!
Após uns breves segundos...
Eu - Vê lá que bom é o teu carro que nem os ciganos lhe pegaram!!!!
Ela - ESTÚPIDA !!!!!

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

Para quem


veio parar ao meu blog, através do google, para saber se faz mal ter tirado 10 radiografias, a resposta é esta "não faço a mínima ideia".
Não sou médica. É a única certeza que tenho.
Mas a deduzir pela quantidade de radiografias que já tirei em 34 anos, começo a ficar preocupada. Se alguém tirou 10 e está preocupado, eu que já lhes perdi a conta....

Ok...vou ao google pesquisar "faz mal ter tirado n radiografias"....e ver a que blog isto vai parar!

terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

Parabéns


"Quando soube da novidade, chorei. Não queria irmãos! Porquê? Era feliz sozinha. Sempre gostei do meu canto e não precisava de partilhar as minhas brincadeiras com ninguém. Não iria emprestar a minha boneca. E os morangos que a avó comprava no mercado eram só para mim.

O pai dizia que eu haveria de ser sempre especial. Mas não precisava dizer. Eu sentia-o.
A mãe fazia botas de malha. Eram amarelas. Não gosto dessa cor. Mas afinal para quê tanta preparação? Tanta roupa?

Um dia a mãe diz:
- Está-se a mexer! Sente! Mete aqui a mão!
Não senti ou melhor, fingi que não senti.

E no dia 24 de Fevereiro, a mãe não estava. O pai vestia-me, desajeitadamente, a saia de pregas. Eu teimava que o alfinete com a inicial A tinha de estar bem à vista.
- Onde vamos, pai?
- Já saberás!

Os meus olhos de menina não escondiam a ansiedade. Depois de fazermos uns quilómetros, no velhinho volkswagen branco, onde eu no banco de trás não me atrevia tornar a perguntar onde íamos.

Depois de passarmos muitas portas e paredes brancas, vi a minha mãe.
- Mãe! - gritei
- Vem, filha, vem conhecer as tuas irmãs!

Irmãs? Duas? Antes de as ver, o meu pequenino mundo desabara.
Aproximei-me, devagar, das camas. E olhei-as. Tão pequeninas. Tão indefesas. Tão lindas! E eram minhas...minhas irmãs!
Eu tinha duas manas! E agora? Como faria com a boneca, se só tinha uma? Emprestaria à vez.
Toquei-lhes nas mãos.
- Ana, que nome lhes dás?

Talvez o nome das pessoas mais importantes para mim: o da minha melhor amiga e o da minha prima preferida.
- Que assim seja!
E de repente, tudo mudou. De repente fazia sentido elas terem nascido. De repente ter irmãos era bom. Assim já poderia ter alguém para brincar um dia. E eu como irmã mais velha, iria ensinar-lhes tudo o que sabia. E afinal, não me importava partilhar os morangos que a avó comprava só para mim."

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

Tudo se perde, nada se transforma


"O Carnaval é um período de festas regidas pelo ano lunar no Cristianismo da Idade Média. O período do Carnaval era marcado pelo "adeus à carne" ou "carne vale" dando origem ao termo "Carnaval". Durante o período do Carnaval havia uma grande concentração de festejos populares. Cada cidade brincava a seu modo, de acordo com seus costumes. O Carnaval moderno, feito de desfiles e fantasias, é produto da sociedade vitoriana do séc. XIX.

Em Portugal, existe uma grande tradição carnavalesca, nomeadamente os Carnavais da Ilha da Madeira (donde saíram os imigrantes que haveriam de levar a tradição do Carnaval para o Brasil), Ovar, Podence, Loulé, Sesimbra, Rio Maior, Torres Vedras e Sines.
Destaca-se o de Torres Vedras, conhecido por "Carnaval de Torres", por possuir o Carnaval mais antigo e dito o mais português, o qual se mantém popular e fiel à tradição, rejeitando o samba e outros estrangeirismos. Juntamente com o Carnaval de Canas de Senhorim com perto de 400 anos e tradições únicas como os Pizões, as Paneladas, Queima do Entrudo, Despique, entre outras.
Nos Açores, mais propriamente na ilha Terceira, reside uma das formas mais peculiares do Carnaval em Portugal, as Danças e Bailinhos de Carnaval. Esta tradição, tida como a maior manifestação de teatro popular em Portugal, remonta ao tempo dos primeiros povoadores e reflecte um estilo teatral bem ao jeito dos autos vicentinos." (in Wikipédia)

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

Haja paciência


Um dia, na conversa com o (tal) colega:

Eu - Eh pá, este mês a ver se não me esqueço que tenho de fazer a revisão ao carro!
Ele - Mudar o óleo? É isso?
Eu - Também! Mas uma revisão implica muito mais que mudar o óleo... Mas quando fazes a revisão ao teu carro só fazes a mudança de óleo?
Ele - Não faço ideia. Meto na oficina e digo-lhes que é para fazer uma revisão...


Ao fim de uns dias:

Eu - Que estás a ver na net?
Ele - Guitarras! Vou comprar uma...
Eu - E que tipo de guitarra vais comprar?
Ele - Pois, ainda não sei! Isto é tudo tão complicado. Eu de carros até percebo muito, agora de guitarras é mesmo nada!

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

Estranha sensação


Hoje levantei-me com a estranha sensação de não saber bem que dia é.
Piso o chão frio e não me apetece proteger os pés.
Percorro a casa vazia. Talvez à espera de encontrar alguém que pudesse ter ficado perdido da noite. Estranha sensação.

Afasto as cortinas e retraio-me a cada golpe de luz. Ouço vozes que nada me dizem. Ouço conversas que não quero saber. Estranha sensação.

Abro as janelas e deixo que o vento me saúde. Entra desvairado e percorre a casa. Na saída, desalinha-me o cabelo. O gato ronrona qualquer coisa e some-se por entre portas. Talvez perceba o que disse. Estranha sensação.

No banho, concentro-me no nada. Mergulho e deixo-me estar. Quieta.
Lavo o rosto que já traduz a idade. Talvez demasiada. Estranha sensação.

Traço um caminho no espelho para me ver. Sorrio para mim. Aproximo-me. Face que não sabe esconder. Baixo os olhos. O corpo vestido de algodão, estremece. Talvez seja frio. Talvez ansiedade. Estranha sensação.

Alguém bate à porta. Alguém sabe de mim. Afinal, sempre tenho um alguém. Estranha sensação.

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

Perdida


Nunca consegui perceber o significado desta vida. Uma vida onde os sonhos não existem. Uma vida perdida. Desgraçada.
Não invejo, não amo, não almejo, não desejo.
Apenas arrasto este corpo, sem conseguir perceber muito bem porque o tenho, para que serve. Corpo morto, sem alegria, sem fogo. Triste.
Pego na alma nua e sento-a. Cansada. Talvez seja a única coisa que paira com sentido. Aprisionou-se em mim e teima em não partir.
Afago os cabelos. Um dia tiveram vento, caricias, luz. Hoje quietos cobrem os meus ombros secos. Amargurados.
Não sei porque aqui continuo. Através da janela vejo o sol, o longe. Não percebo porque tenta alcançar-me e porque não consigo chegar-lhe. Ilusão.
Perdida em mim sigo os dias, que não distingo, que não quero. Noite.

E sigo, sem saber porquê nem como. Sigo nem sei para onde.

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

A espera


Espero por ti no nosso leito,
Onde a paixão e a entrega tiveram lugar.

Espero por ti na nossa casa,
Onde a saudade dos teus passos ainda se ouve.

Espero por ti na nossa sala,
Onde o livro que lias ainda aguarda os teus dedos.

Espero por ti no nosso jardim,
Onde a tua alma fazia florescer o galho mais seco.

Espero por ti na nossa mesa,
Onde o lugar que saciava a minha fome está vazio.

Espero por ti no nosso banho,
Onde a espuma um dia nos abraçou e a água foi cúmplice.

Espero por ti no nosso sofá,
Onde a manta mantém o teu calor e guarda o teu cheiro.

Espero por ti em mim,
Onde a espera me acalma e me alenta nessa espera.

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009


"O cérebro é um órgão maravilhoso.

Começa a trabalhar logo que acordamos e só pára quando chegamos ao serviço."



sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

Afinal...


Aqui no meu local de trabalho, ainda se comemora o dia de amanhã e que até eu já escrevi sobre ele: o dia dos namorados.
E quando não é a minha surpresa quando alguém, num euforismo desmedido, me grita:

-Tens uma carta para ti !!!!

EU ???? UMA CARTA DO DIA DOS NAMORADOS????

"Devem andar a fumar alguma coisa estranha." (primeiro pensamento que me surgiu)

E o que eu julgava ser uma carta ridícula, afinal era um bilhete que dizia:

"És muito jeitosa!
Boa!"

E depois disto, que até me fez rir e me animou um pouco, resta-me saber:

a percentagem de gozo no bilhete;

a tipa que o escreveu (era a típica letra de mulher!);

o nível de miopia da dita!

Dia dos Namorados


Muito se fala, se escreve, se lê sobre o dia dos namorados.

Não irei escrever se sou contra ou a favor, pois é como um ditado que se ouve na minha terra "não fazem mal nem bem, como as açordas em Maio".

Apenas quero reforçar a minha ideia que aos poucos vou espalhando pelos diversos blogs.
Comparo este dia como toda a loucura que antecede o Natal, os dias da mãe, do pai, da mulher...
Valem aquilo que valem e entram, mais uma vez, no culto do consumismo.

E para quê? Pergunto eu sem grande entusiasmo.

É vê-los nessa noite, completamente desenfreados, muito bem vestidos e perfumados, à procura de um restaurantezeco, de preferência caro, para no outro dia se gabarem no emprego ou no seio dos amigos.

E depois de conseguirem uma mesa qualquer, registam tudo o que se passa à volta, "cortando na casaca" dos novos namorados, dos bonitos e dos feios, dos bem ou mal arranjados e por aí fora...e isto quando há assunto!

Senão, fazem o pedido, esboçando um sorriso amarelo, e esperam em silêncio pela refeição.

Há também as novas paixões ou os exibicionistas (caso o namoro já tenha alguns meses ou anos), e surpreendem a cara metade com um presente. E a cara metade faz o seu papel: o ar de espanto e de surpresa!

A sorte de alguns casais é se o tal restaurantezeco tem televisão e melhor ainda se estiver a dar ou futebol ou a telenovela.

Claro que também há os que fazem desta noite pseudo-perfeita um pesadelo, discutindo porque a namorada olhou demasiado tempo para o empregado, ou porque o namorado olhou para a tipa que em vez de saia veste um cinto. Sem mencionar que muitos destes arrufos tem consequências piores quando saem do restaurantezeco....mas isso não iremos ver ou então está encoberto por maquilhagem.

Pois é... e assim se passa mais um dia dos namorados.

Não vou dizer nem bem nem mal, apenas desejar a todos os enamorados, apaixonados ou assim-assim, um feliz dia e uma santa noite....num qualquer restaurantezeco!

Sexta-feira, 13



Bom dia e ... boa sorte!

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

Sinais dos tempos (1)


Antigamente bastava o professor entrar na sala, para que a turma fizesse silêncio e respeitasse o mesmo.
O professor era a máxima autoridade. Ele era como uma fonte e tudo o que dizia era absorvido com sede.
Ficávamos orgulhosos quando éramos chamados ao quadro ou nos pedia para começar a ler um texto. Um castigo de não ir ao intervalo era o suficiente para nos portarmos bem, por vezes, até ao final do ano.
Tínhamos prazer em nos juntar e fazer com as nossas mãos, uma prenda para lhe oferecer no dia do seu aniversário. E quando chegávamos ao fim ou do ciclo ou do ano lectivo e mudávamos de professor, ficava a saudade e todo o ciclo se repetia.


Hoje em dia o professor é uma mera pessoa que debita informação e que não vimos utilidade nenhuma.
Não tem presença em sala nem autoridade.
Se houver quem lhe chame nomes e o achincalhe, consegue chamar mais depressa a atenção da turma do que ele próprio.
A turma é o seu castigo. Muitas vezes tem sorte se lhe for apontada uma arma e esta for de plástico, ou levar um pontapé ou uma bofetada e não ficar marca, ou chegar ao pé do seu veículo e não estiver danificado.
E depois deste, vem outro por vezes sem sabermos sequer o seu nome.

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

Pensamento por um dia (I)


"O sexo é como uma estação de serviço:

às vezes recebe-se um serviço completo;

outras vezes tem que se pedir para se ser atendido

e há vezes em que temos que nos contentar com o self-service!"

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

Doce criança


Quando era criança, eu e o meu pai fizemos um acordo: conforme eu me portasse nesse dia, assim ganhava uma moeda para o meu mealheiro.

Se eu me tivesse portado muito mal, ganharia uma moeda de 50 centavos; se me portasse razoavelmente bem, seria uma moeda de 5 escudos; e se me portasse mesmo muito bem, ganhava uma moeda de 25 escudos.

Esse mealheiro descobri-o este fim-de-semana, depois de quase 30 anos encaixotado.

Dentro dele tinha 152 moedas de 50 centavos; 12 moedas de 5 escudos; 3 moedas de 25 escudos!