sexta-feira, 30 de abril de 2010

Pérola # 2


Eu - Sabes que andas com a braguilha aberta?
Colega - Sim, sei! É de propósito!
Eu - De propósito? Andas nessa figura e sabes?
Colega - Sim. Sabes, tenho o fecho estragado. E ontem levei o dia inteiro sem poder fazer xixi porque não consegui despir as calças. Só consegui abrir o fecho já em casa, à noite. E hoje, não me apeteceu mudar de calças, vim com as mesmas mas de braguilha aberta!
Eu - Jesus....tu não existes, homem! Preferes andar a mostrar o cuecão?
Colega - Sabes lá as dores que tive na bexiga por levar um dia sem a aliviar!! Hoje isso não acontece! Mais vale mostrar o cuecão que molhar o cuecão!

quinta-feira, 29 de abril de 2010

Foto:Najla

Perguntaram-me há uns dias, o que eu faria caso soubesse o dia exacto em que iria morrer. Como iria viver até lá, o que iria fazer ou deixar de fazer, as pessoas que procuraria ou talvez não, o que tentaria remediar ou mudar.
Nunca perdi muito tempo a pensar no dia antes do fim, como se a vida se tratasse apenas duma equação efémera. Mas confrontada com a questão, das poucas certezas que tenho na vida, este dia não o quereria saber. Porque não vejo a incógnita, o desconhecido, o não saber, como algo mau, ruim ou de pura ignorância. Porque teria eu de mudar algo se soubesse o dia, se sou consciente de todas as minhas acções, reacções, atitudes e comportamentos?
Daria eu mais amor a uns do que outros? Mais ou menos atenção? Tentaria remediar situações que até agora não fui capaz? Pois, não sei. O passado jamais poderei mudar. Apenas posso mudar o meu presente, que concerteza irá influenciar o futuro. Mas isso não o tenho de fazer pensando no terminus, na morte, no fim. Isso poderei fazer hoje e para o amanhã. Não quero cair no erro de tentar viver quando a vida está prestes a acabar. Não. Quero viver plenamente. Nem que seja só por hoje. E como filha desta terra que sou, apenas posso dizer que prefiro "caminhar com bom tempo, numa terra bonita, sem pressa, e ter por fim da caminhada um objectivo agradável: eis, de todas as maneiras de viver, a que mais me agrada." (Rousseau)

terça-feira, 27 de abril de 2010

Eu no meu melhor!


À excepção dos wc's, todas as divisões da minha casa têm portadas. E quando se faz limpeza é uma maravilha, vou entrando por um lado e saio por outro, fechando atrás de mim as portadas. Ora, num belo dia (por acaso ontem), tanto fechei, tanto não fechei que fiquei "trancada" no quintal. "Mas não faz mal!" (dizem vocês) "Vais a casa de tua mãe, que são uns 500 metros e trazes a chave suplente".
Pois! Mas isso era se o portão da rua não estivesse trancado e chaves onde??? Pois! Dentro de casa!
E vocês insistem "Então telefona!", coisa inteligente caso o telemóvel não estivesse ao lado das chaves!
E vocês a desesperar "Chama um vizinho". O normal, se não fosse o caso de eu não ter vizinhos e apenas avistar um burro a pastar!

Dói, não dói? (eu sei! Não precisam dizer nada!)

domingo, 25 de abril de 2010

Para que serviu o 25 de Abril de 1974?


Para a nação inteira, foi o golpe de estado que derrubou o regime ditatoral instaurado por Salazar, que trouxe liberdade e desenvolvimento politico-social do país (etc, etc).

A mim, para além disso, serve também para me lembrar que daí a uns mesitos completo os mesmo anos de cada comemoração.

sexta-feira, 23 de abril de 2010

A minha estrada


Ao longe, as nuvens pareciam aterrorizar todo o viajante que se atrevesse aproximar.

quinta-feira, 22 de abril de 2010

Ai se o chefe te apanha!...

Num dia demasiado complicado, o nosso chefe solta um "merda", não muito sonante, nada que incomodasse a equipa mas bastou para ser alvo de reparo da administrativa que revelou não gostar de ouvir asneiras. A equipa entreolhou-se mas nada disse. O certo é que todos começamos a ter mais cuidado nos nossos desabafos.
Esta semana, numa reunião em que estávamos a discutir sobre um determinado imóvel abandonado, salta-se a dita administrativa (que deveria apenas estar a ouvir!):
- Realmente deveriam pegar naquela casa. Está degradada e muitas pessoas usam-na para ir lá cagar e mijar e é um fedor que não se pode!

terça-feira, 20 de abril de 2010

O tempo


Há semanas que não tenho um fim-de-semana, um dia de descanso. E se antes, tudo o que girava em torno de mim tinha de estar arrumado, metodicamente organizado, ter sequência ou a roçar quase o intocável, hoje nem penso sequer no amanhã e tento aproveitar cada minuto do dia, do presente.
Deixou-me de incomodar os brinquedos da minha filha espalhados por toda a casa ou das brincadeiras dela do faz-de-conta em que calça os meus sapatos, mete as minhas pulseiras e vagueia pela casa a dizer que vai "pó tabalho".
Delicio-me a preparar o jantar para a família pois sei que é um momento onde se contam todas as novidades e se fala do que cada um fez durante o dia.
Não me importo de ver o sofá desalinhado na sala, porque o arrastei para pé da lareira nem da manta polar que anda constantemente desalinhada.
Fico enternecida quando o meu sobrinho de 3 anos me liga e me pergunta quando o vou ver.
Não me incomoda perder 5 minutos frente ao meu jardim e ver como as minhas roseiras florescem.
Deixei de me chatear porque o tapete da sala não está convenientemente aspirado.
Descubro que o tempo que me falta não me faz assim tanta falta. Abandonei as coisas superficiais e dediquei-me, no tempo que tenho, a tudo o que verdadeiramente interessa porque afinal, "perder tempo em aprender coisas que não interessam, priva-nos de descobrir coisas interessantes" (Carlos Drummond de Andrade)

sexta-feira, 16 de abril de 2010

A pérola


Colega (ao telefone) - Hoje não vou poder ir trabalhar!
Eu (num suspiro à espera de algo transcendental) - Então o que te aconteceu hoje?
Colega - Fui passear ontem à noite de carro até ao rio. Cheguei lá e ao fazer inversão de marcha, não vi que tinha terminado a estrada e fiquei suspenso!
Eu - Desculpa???
Colega - Sim! Fiquei com metade do carro em terra e outra parte suspensa. E o pior é que quando consegui sair desta situação fiquei sem travões e tive de deixar o carro lá no rio.
Eu - Jesus....
Colega - E como não tenho carro, não posso ir trabalhar!
Eu - Claro, claro! (num tom muito preocupado como se tivesse acreditado em tudo)

quinta-feira, 15 de abril de 2010

Momento zen da semana

Foto: Najla
No fim-de-semana passado tive de trabalhar. Subi serras, desci serras, apanhei um valente escaldão no nariz, as sardas das bochechas lá deram o ar da sua graça (detesto!!), tinha umas grandessíssimas dores de pernas e de pés, assisti a entranhas (de animais selvagens, note-se!) com brucelose e prurido (dispensava esta parte), comi uma grande tigela de gaspacho (que soube tão bem!) e tive o privilégio de desfrutar desta paisagem!
Só por isto valeu a pena ir trabalhar!

quarta-feira, 14 de abril de 2010

terça-feira, 13 de abril de 2010

E para desanuviar a coisa....


Hoje, o derby dos derbys.....Benfica - Sporting!

Ca nervos!

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Sempre!

Costumo fazer uma ponderação do meu ano, não no fim, mas sempre no Outono. Não sei porquê mas esta estação sempre foi para mim, o inicio de um novo ciclo. E como todas as pessoas, pondero o bom e o menos bom, mas consigo, acima de tudo, dizer que fui feliz! Consigo sobrepor os bons momentos aos que passei menos bem e dizer que sou feliz! Sempre!
Mas hoje, apesar de não ser Outono nem fim de ano, faço a ponderação, não do ano que passou, mas dos meus últimos sete.
Desde 2003 que enfrento e desafio, numa luta desigual e com armas diferentes, a morte. Ela tem-se vestido de muitas cores, tem-me montado diversas ciladas, tem-me feito cair demasiado fundo. E eu, apesar de muitas vezes, já sem forças, já sem animo, encaro-a de frente e continuo a dizer-lhe que sou feliz! Sempre!
Depois de ter saído de um coma, provocado por uma septicemia, e que resultou numa amnésia, tive, no ano a seguir, de enfrentar um divórcio conturbado. Um divórcio que me fez começar tudo de novo, que me fez, inclusive mudar a minha própria vida. A partir de 2005 assisti ao desaparecimento dos meus 3 avós. Em cada ano, perdi um. E a maior perda, em 2008, foi a morte da minha avó Maria. A minha fiel amiga. Aquela que me ajudou a dar os primeiros passos e que assistiu à minha primeira palavra. O meu ombro e o meu colo desaparecia. Olhei de novo a morte e desafiei-a. Disse-lhe que apesar de me ter levado todas estas pessoas, eu continuava a ser feliz.
E em 2009, volto a frequentar os corredores dos hospitais. Desta vez com o meu marido. Rezei a Deus, e perguntei-Lhe tantas vezes "porquê eu?". E quando julguei que Deus me ouvira, cá estou eu, em 2010, a rezar-Lhe novamente, aos pés de meu pai e sempre com a mesma dúvida "porquê eu?". Os dias nos corredores deste hospital, parecem anos....parecem eternos. Não sei porque a vida, o fado, o destino ou o que lhe quiserem chamar, resolvem colocar-me constantemente à prova. Numa prova impiedosa. Num combate desigual e desleal.
Não me lembro de ter partido nenhum espelho, nem passar por debaixo de nenhumas escadas e nem tão pouco de fazer pacto com o diabo, mas, confesso-vos, de alma aberta, de peito ferido, estes sete anos tem-me sugado a minha força, a minha vontade, a minha vitalidade!
E mesmo com estes sete punhais no coração, ainda tenho força para dizer, para gritar ao mundo, que apesar de tudo, eu sou feliz. Sempre!

sexta-feira, 26 de março de 2010

Foto: Najla
Apesar de nunca ter ido aos espargos, até me saí bem para primeira vez. A satisfação de trazer um saco com espargos, foi maior que as dores que sentia nas pernas de subir e descer a serra íngreme e das picadas e arranhões da esparregueira. E diga-se que ovos com espargos feitos por quem os sabe fazer, hummmm...é divinal! Fica o convite para quem não tiver medo de alturas e tiver tanta genica como uma cabra montanhesa, para quem não se importa de levar picadas e ficar com algumas infectadas de vir aos espargos comigo. É que o final compensa!!!

quinta-feira, 25 de março de 2010

Sabe mais do que eu já lhe ensinei


Estávamos à mesa e eu estava a descascar uma laranja.
Princesa - Mãe, dá-me um gomo de lalanja, po favô!
Eu - Filha, sabes que não podes. Acabaste de comer iogurte!
Princesa - Vá lá, mãe.
Eu - Comeste iogurte e a laranja pode fazer-te dor de barriga.
Princesa - Só um! Piquenino!
Eu - Só um e pequenino, está bem?!?
Princesa - Sim, está bem!


Ao fim de um bocado, vai ter comigo ao quarto com uma barra de chocolate de leite que o pai lhe tinha dado.
Princesa - Queles um bocado do meu chocolate?
Eu - Sim, quero!
Princesa - Oh mãe, tu não podes! Acabaste de comê lalanja!

terça-feira, 23 de março de 2010

Nós, portugueses, somos caracterizados pela nossa aparente tristeza, como se a nossa vida fosse um eterno fado. Mas também dizem que somos um povo acolhedor, humilde, solidário. E uma das provas disso, é a onda de solidariedade que se instalou em Portugal para ajudar as vitimas das várias intempéries que temos assistido ultimamente. E uma dessas campanhas é a favor da Madeira e dos desalojados e vitimas. Se ajudei? Sim. E ajudaria mais se pudesse.
Mas julgo que existem ondas de solidariedade que muitas vezes servem para tapar o sol com a peneira. Que servem para descargo de consciência. Que é de certa forma, um fechar os olhos para a realidade....uma realidade mesmo ao nosso lado.
Conhecem a D. Maria, que mora em Caminha e que vive numa casa extremamente pequena, sem casa-de-banho, sem água canalizada, e que dorme na mesma casa onde faz a sua alimentação e a sua higiene?
Conhecem o sr. Pedro Afonso, habitante de Paderne, que mora numa barraca, com 3 cães e que faz a sua higiene na casa de banho pública e aquece o seu almoço, no lume que faz na rua, em cima de um latão?
Conhecem a D. Rosa, de Lisboa, que mora numa casa em muito mau estado porque os seus senhorios se recusam a fazer obras e que para ir da sala para o quarto, em dias de chuva, tem de vestir um resguardo?
Conhecem a D. Josefa, de Mértola, que vive isolada, num monte, sem recursos, e que o seu estado de saúde piora porque não tem dinheiro para comprar medicamentos e muito menos para pagar um táxi para a ir buscar e levar ao médico?
Pois....não conhecemos! Mas estes, estes são nossos "vizinhos"!

sexta-feira, 19 de março de 2010

Hoje vesti-me de negro. Não por rebeldia, como meu costume. Mas porque hoje a alma está de luto. Está pesada e dorida. Meto os óculos escuros para refugiar os olhos, já cansados, já dormentes das lágrimas. Apesar de já ter enfrentado a morte umas quantas vezes, cada vez é sempre diferente e quase como se fosse a primeira vez. Os familiares vão-se indo e de cada vez pensamos que a próxima será mais fácil, até tornarmos a experimentar.
Sinto o corpo pesado e apesar dos abraços de consolo, nada nos consola nem apazigua o aperto que sentimos no peito. O aperto do adeus, o aperto de nunca mais.
Apesar das palavras de esperança que o sacerdote debita, da vida eterna e do possível reencontro, continuo sem conseguir aceitar a despedida e continuo a achar que realmente é para sempre. Mentalizo-me que quem deixa este mundo terrestre, olhará por mim mas por breves momentos até que a dor e o choro compulsivo tomem, novamente, conta de mim.
E num último adeus, pergunto-me porque não tive mais um dia, mais um mês, mais um momento que dizer tudo o que gostava de dizer e dar todos os abraços que gostava de ter dado. Regresso à vida, com o coração apertado, com um cansaço visível no rosto e esperar que na próxima despedida, eu tenha conseguido aceitar que "a morte é a curva da estrada, morrer é só não ser visto." (Fernando Pessoa)

quarta-feira, 17 de março de 2010

Como evitar ouvir "eu bem te disse"


Não sou viciada em cremes faciais. Só meto creme ou quando me lembro ou quando a pele grita por hidratação. E como tal, tenho realmente uns quantos cremes mas estão lá....quietinhos! E depois de ter ouvido maravilhas de duas amigas sobre um creme todo xpto para as rugas dos olhos, mas muito caro, decidi comprá-lo e experimentar.

Ele - Mas vais comprar um creme para quê se depois não o usas?
Eu - Uso sim! Aquele como é caro vou usá-lo!
Ele - Não é uma questão apenas de preço, é só porque é mais um para a prateleira que não vais usar!
Eu - Vais ver! Vou usá-lo!

Ao fim de algum tempo, nunca mais eu me lembrei do creme e realmente o creme lá está na prateleira.
Ele - Parece-me que o creme já está a fazer companhia aos outros...
Eu - Não está nada. Tenho metido quase todos os dias....não se nota já menos rugas?? Diz??? Não tenho quase nenhuma, pois não?
Ele - Hum....Pois...Vê-se os efeitos....sim, sim!

terça-feira, 16 de março de 2010

Às vezes, gostava de ser uma verdadeira cabra...

Foto: Najla

...para me regalar nestas pastagens!

Que julgavam que ia escrever? Hum?

segunda-feira, 15 de março de 2010

Há coisas que nem lembram ao outro senhor


"Uma mulher de 101 anos desenvolveu um corno no lado esquerdo da testa. A saliência de cor negra tem quase seis centimetros de comprimento e está a causar espanto em todo o mundo, noticia a EFE.
A chinesa conta que a protuberância apareceu há um ano e desde então ainda não parou de crescer.
No entanto os vizinhos sentem-se incomodados com o corno da velha, que não se importa com os comentários (...).
(...) Médicos dizem tratar-se de um tumor benigno.
E como uma desgraça nunca vem só, outra saliência semelhante começou a crescer no lado direito da testa da idosa." (fonte: TVI24)


Notas de rodapé:
1) aos 101 anos é que lhe nascem os cornos?
2) "o corno da velha"....bonito jornalismo!!!
3) se um tumor benigno se transforma em chifres, deduzo que devem existir muitas pessoas a desejar um maligno....
4) "outra saliência"...ou melhor, outro corno. Claro! Ficaria mal! Onde já se viu?!?
5) coisas chinesas!

sexta-feira, 12 de março de 2010

"Eu ainda acho que os dias são muito curtos para todos os pensamentos que quero pensar, todas as caminhadas que quero fazer, todos os livros que quero ler e todos os amigos que quero ver." (John Burroughs)
O caminho da vida cada vez se parece mais com uma auto-estrada.

quinta-feira, 11 de março de 2010


Dizem os mais velhos e também um qualquer ditado, que Janeiro é o mês dos gatos. Isto porque os bichanos andam todos lampeiros, com o cio a dar horas e é ouvir aqueles miados assustadores e lutas renhidas entre eles. Mas eu julgo que este ano é excepção, e eles continuam com os mesmos sintomas, o que é preocupante.

Pior: julgo que esses sintomas já contagiaram alguns seres humanos.
Assustador: alguns desses humanos eu conheço muito bem.
M-E-D-O!

quarta-feira, 10 de março de 2010

Perfis...


Fotos: Najla

terça-feira, 9 de março de 2010


Alguns governantes do Norte do país, mostraram-se muito preocupados com as medidas apresentadas no Programa de Estabilidade e Crescimento (PEC) do Governo, temendo que o mesmo venha a ser discriminado.

É óbvio que tive de me rir e confesso que foi quase à exaustão. Isto porque se o Norte fosse tão discriminado como o Alentejo tem sido anos atrás de anos, os senhores governantes careciam desta preocupação!

segunda-feira, 8 de março de 2010

Quantas mais?


Quantas vezes tentei mudar este olhar, esta paixão, esta entrega?
Quantas vezes jurei não mais mendigar o teu amor, a tua atenção, o teu carinho?
Quantas vezes achei que seria a última vez que chorava?
Quantas vezes sonhei que tudo poderia ser perfeito?
Quantas vezes notei que o brilho do teu olhar não era mais meu, que o sorriso deixara de existir, que o abraço escasseou?
Quantas vezes gritei a mim mesma que seria a última vez, que amanhã tudo seria diferente, que tu mudarias, que seria apenas uma fase?
Quantas vezes enganei a razão, o orgulho, a vontade e a mim mesma?
Quantas vezes tentei mas nem lutei...quantas vezes desculpei o imperdoável?
Quantas vezes a lágrima ocupou o sorriso, e a força ocupou a generosidade?
Quantas vezes mais?

Basta!!
Basta por mim! Basta por todas nós!


(re-edit)

sexta-feira, 5 de março de 2010

É uma verdadeira pérola ... encardida, convenhamos!


Discutíamos no trabalho, o que alguns de nós iríamos fazer quando chegássemos a casa. E eu, num tom muito desanimado, digo que tenho de iniciar a limpeza da casa. E salta-se o meu colega com esta:
- Mas se estás assim tão cansada, porque não chegas e descansas? Olha, eu desde Agosto de 2009 que não faço limpeza na minha e está óptima! Ainda consigo lá entrar!!!

Diz ela...


"Homem tem de ser tratado como cabelo!
Num dia prende-se, noutro solta-se; num alisa-se, noutro enrola-se e corta-se quando é preciso."
Juliana Paes*



*Foi dificil conseguir uma foto desta menina vestida. Poças....

quinta-feira, 4 de março de 2010

Este homem não existe!


O meu colega brindou-nos com a seguinte informação:
- Como vocês já devem ter reparado, ou melhor, cheirado, andei a testar a vossa resistência ao cheiro! Ou seja, há 1 semana que não tomo banho, não faço a barba e não mudo de roupa. Como passaram no meu teste, amanhã terão a recompensa e prometo que venho com o banho tomado. Hum? Que me dizem?

É claro que ninguém conseguiu responder pois continuávamos a suster a respiração!!!!

quarta-feira, 3 de março de 2010


Será que ainda não houve nenhuma mente iluminada, um génio, (um curioso também serve) que inventasse a roupa descartável?

Este tempo está uma merdunfa*, e nós andamos com o estofego de mete roupa a lavar, tira roupa da máquina, mete roupa a secar, tira roupa porque está a chover, mete roupa na secadora, mete roupa dentro de casa, (já não chove por 10 minutos) mete roupa novamente na rua, (já está outra vez a chover) tira roupa do estendal....porra, que já irrita!

Gastam tanto dinheiro em estudos e investigações para chegarem a conclusões geniais, como "os homens preferem as mulheres com seios grandes" ou "as mulheres preferem homens obedientes e que não as contrariem" e não há um tostanito para produzirem roupa descartável? Hum? Miséria.....


* sabem o que significa, não sabem?

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Um pouco mais...


Sente-me mais um pouco. Ajeita-te. Aperta-me contra o teu peito e deixa que o tempo percorra e galope terras e mundos, horas e segundos, em busca das nossas sombras, em busca dos nossos sonhos.
Aperta-me mais um pouco. Molda-me em teu corpo. Deixa que o vento galgue céus e mares em busca de nossos rostos, de nossas presenças.
Sente-me e faz-te sentir. Tolda o espírito e liberta a alma para que o sangue nos percorra, para que a vida deslize devagar.....muito devagar se solte e cante melodias de amor e de prazer.
Sente-me mais de perto. aperta-me em ti, contra ti. Molda-me em tua vida e deixa, deixa que o tempo lá fora seja dos outros.

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Foto: Najla



Bom fim-de-semana....se puderem, se conseguirem e se S. Pedro der uma ajudinha!

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Comecei a semana com o pé esquerdo!


A um condutor que me buzinou, chamou nomes feios, fez gestos obscenos com ar cavernal, histérico e um senhor-brutamontes...decidi desvendar-lhe o nome dos dedos da mão:
o Dedo Mindinho; o Seu Vizinho; o Pai de Todos, o Fura Bolos e o Mata Piolhos!

E pronto: no final apresentei-lhe o Pai de Todos!

sábado, 13 de fevereiro de 2010

Ouço a Princesa a chorar e dirijo-me ao quarto dela. Assim que entro, vejo-a de joelhos, perto da cama, com a mão na testa e continuava a chorar.
- Então, Princesa, deste uma cabeçada na cama?
E num lamurio, diz-me:
- Não! Foi uma testada! Foi com a testa!

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Dúvidas...


Onde está o sorriso tentador, que me arrebatou? Onde pára a tua presença, dando lugar a uma ausência tão pesada? Que fizeste ao amor, que juraste, um dia, ser eterno? Para onde mandaste as promessas e as juras, que foram, tantas vezes, cúmplices da nossa entrega? Em que braços te perdeste, sendo os teus durante tantos dias, o meu embalo, o meu abraço? Qual o corpo que agora sacias, deixando as marcas do prazer e da loucura? Porque deixaste, simplesmente, de me amar?

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Partilho...


...com vocês, o meu nascer do sol!

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Eu realmente tenho amigas fantásticas!


Ele - Desculpe, estava a olhar para si e sei que a conheço de algum lado....mas não sei bem de onde...
Ela - Sim, conhece-me porque eu trabalho na empresa X.
Ele - Ah, pois é! Trabalha com a minha ex-mulher!
Ela - Sim!
Ele - E como é que ela está?
Ela - Linda...como sempre!
Ele - Claro que sim. - anui com a cabeça - Eu realmente fui muito burro em não ter lutado por ela!
Ela - Deixe lá isso agora. Você foi burro porque não se empenhou, ela ainda foi mais burra quando se casou consigo. Deixe lá...

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Voei...

Houve um dia em que fui perfeita.
Houve um dia que fui genial.
Houve um dia que juraste ter encontrado a cara metade.
Mas isso foi um dia!

A magia acabou. A sedução e o fascínio terminaram. A realidade impôs-se.
Deixei de ser a super-mulher.
Deixei de conseguir camuflar os sentimentos.
Avisei que não era a mulher convencional. Não consegui tirar excelente em todas as áreas. Apenas consegui ser excelente mulher, excelente mãe, excelente amiga e excelente profissional. No resto perdi-me! E afinal, o resto tinha muito mais valor!

Cansei de dar volta à vida em cima de salto alto. Doem-me os pés.
Cansei de mascarar a amargura e a incerteza, o choro e a mágoa com um sorriso, puxando o cabelo para trás da orelha e gracejando com algo. Perdi o ânimo.

Quantas vezes calei o dissabor e a agonia, para que tudo continuasse perfeito....jurei nunca mais!
Fiz de mim outra mulher, fiz de mim outra pessoa...por ti....para ti....por todos vós! Cansei!
Não suporto mais a ideia do silêncio.
Não consinto que me enfrentem e eu baixe os olhos.
Não admito que sustenham a minha vida e a minha vontade.

A máscara que fingi ter e ser minha caiu. A máscara que usei está gasta.
Vi uma fresta. Vi o sol. Vi que afinal apesar do caminho que decidi tomar, posso inverter.
Basta querer! Basta ter vontade! Basta voar!
(re-edit)

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Coisas chiques!

Há 2 dias que ando desaparecida devido a uma virose gastrointestinal. Isto não é mais que um nome pomposo para chamarmos à nossa amiga diarreia e ao nosso primo vómito. Claro, que como a família tem de estar completa, as vizinhas cólicas e os seus arrepios.....Enfim, foram 2 dias em cheio. Pena só tenho de a minha cara metade estar estendido do outro lado do sofá com os mesmos sintomas... Nem miminhos desta vez tive direito!!!! Snif...

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Ridículo, ridículo...

...é quando eu digo que perdi 2,100kg com o mesmo entusiasmo que diria caso ganhasse a lotaria! E as 100 gramas o jocker!

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Acho que ela não tem muito amor à vida!

Como uma desgraça nunca vem só, fomos "brindados" com uma nova colega. E num daqueles momentos em que estamos a falar sobre o que por norma o pessoal faz depois de sair do trabalho (isto para ver se a tipa se ambienta e a tentar dar-nos a conhecer um pouquinho), olha para mim (tinha de ser! É karma! Só pode!) e num tom jocoso diz-me "poças, como é que tu, uma quase quarentona ainda aguentas isso tudo?"
Apesar de não ser meu costume, calei-me...porque afinal (apesar de só lhe ter dito uma cagagesíma parte do que faço) dei-me conta que a tipinha (notem o meu ar de desprezo) não merece ambientar-se! (sim, sou má!)
Ah....esquecia-me (e para uma mulher é muito importante esclarecer estas dúvidas): tenho 35 anos e não 40 anos!

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Uma definição de amor



"Laura,

Escolher um presente para ti foi para mim tão novo, que demorei a perceber como poderia na verdade ser tão simples.
E perguntei, numa espécie de inquérito aos costumes, o que se costuma oferecer nos baptismos. Eu, que sou avessa a esses rituais formatados e que cheguei mesmo a ralhar com a tua mãe por fazer isso.
E depois pensei, o que é que eu gostava mesmo de te oferecer. Assim de forma a que, se por acaso nós não nos cruzarmos mais, tenhas sempre uma recordação de mim. E que não seja uma roupa que já não serve, uma pulseira ou um anel que nunca uses ou um álbum de fotografias que te leve a pensar que as memórias se colam numa folha de papel ou plástico em vez de se agrafarem ao coração.
Por isso, Laura, ofereço-te um livro. Ainda que neste momento tenha pouco mais interesse para ti que o desenho de um menino de cabelo amarelo e um planeta estranho na capa. Mas eu não tenho pressa, Laura, e um dia vais aprender a juntar letras e entender que uma das maiores coisas que se pode oferecer a alguém é um lugar no nosso coração.
E no meu tu já tinhas um lugar antes mesmo de nasceres, porque nessa altura já eu gostava muito da tua mãe. Eu, que não me entusiasmo particularmente com bebés, dava por mim a olhar curiosa para uma ecografia, tentando perceber com quem eras parecida.
Por isso, Laura, o meu presente para ti é o desejo de que um dia, como esse menino de cabelo amarelo, tenhas a mesma vontade de ver todas as coisas, que deixes que o mundo te cative e que tenhas sempre tempo para conhecer todas as coisas e que não compres tudo pronto nas lojas (porque não há lojas de amigos, Laura).
Que vejas com o coração. Que ouças com o coração. Que fales com o coração.
Que o mundo gire à tua volta e que a vida aconteça dentro de ti e não lá fora.
Que gostes, como ele e como eu, de olhar à noite para as estrelas. Que escolhas uma para ti. Mesmo que seja uma pequenina demais para se avistar daqui. O que até é melhor! Assim, gostarás de olhar para as estrelas todas.
Como eu gosto."




A Nikky pediu a todos os seus seguidores que retirassemos o(s) post(s) que mais nos tocaram. Sem cair em exageros, copiaria quase todo o blog. Mas resolvi retirar apenas um...um que sei que foi escrito com o coração, como é o seu costume.
Um post que nasceu para o ser que nasceu de mim e que basta ler o titulo que a Nikky lhe deu para percebermos a dimensão do seu coração e da sua alma.

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Até o pino faço!


As novas instalações como ainda não têm água canalizada, quando nos dá aquela vontadinha de utilizar o w.c., temos de sair e ir ao cafézinho mais próximo. Ora, como é uma vergonha entrarmos, usarmos a casa-de-banho e sair, lá pedimos um café para disfarçar a coisa. E como a mente é traiçoeira, quanto mais pensamos que não podemos ir à casa-de-banho, mais vontade temos de fazer xixi. Se não bastasse o facto de nas veias correr-me uma mistura de sangue minhoto, espanhol e alentejano, com uma pitada de alfacinha, ainda fico pior, ou seja, estou super, hiper eléctrica, hiperactiva devido à quantidade elevada de cafeína que bebo. Só estou preocupada é com a ressaca que sentirei quando vierem ligar a dita água. O corpinho vai sentir....oh se vai....

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Está encontrada a justificação para a assiduidade


Nas aulas de aeróbica que frequento, existem algumas senhoras que deveriam de estar a praticar aeróbica sénior, isto devido à sua idade avançada e ao esforço exigido pela professora. E um dos exercícios é praticado com um bastão de cerca de 1,5m, o qual serve, entre outros, para fazer abdominais. E é ver as senhoras seniores, quase a atropelarem-se umas às outras, uma vez que existem poucos varões, a gritarem quase histéricas "o pau é meu, o pau é meu" ou "eu agarrei-o primeiro! Da última vez usaste-o tu!"



Sim...convenhamos que é um pouco deprimente!

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Voilá...

No inicio de cada ano, raramente faço planos a curto ou médio prazo. E este ano não foi excepção (isso dá uma trabalheira....). Talvez por isso, fique mais emocionada e empenhada nas coisas quando sou surpreendida ou quando meto alguma coisa na cabeça. E como tal, o inicio deste ano, absorveu-me quase todo o meu tempo, deixando-me indisponível para meditar sobre as barbaridades que por aqui vou escrevendo.
Como tal, a minha vida profissional e pessoal deram uma reviravolta(zinha)...tudo no bom sentido (felizmente...).
Então aqui a vossa Najlazita para além de ter mudado de instalações, envolveu-se numa catrefada de coisas, assim tipo tudo-ao-molho-e-fé-em-deus, e agora é ver-me espernear para ver se tenho um tempinho para vir aqui e claro, ir até aos vossos blogues. Como quando saio do trabalho ainda tenho mais umas quantas coisas pendentes, ao chegar a casa estou tipo mais-morta-que-viva e até os dedos me doem para teclar (ok...é peta mas vocês fingem que acreditam...ok?).
E isto só para vos dizer, que aqui estou eu esperando por dias mais calminhos e de um tempinho para vos ir visitar (isto é mesmo verdade!).

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010


Por motivos alheios à minha própria vontade, este blog ficará temporariamente em banho-maria.

Até já...

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

A carta


Podia escrever tanta coisa. Podia começar com tantas frases. Podia mas não o vou fazer. Comecei a escrever esta carta faz tempo. Tempo já sem tempo. Um tempo já perdido. Pensei escrever esta carta julgando ser mais fácil dizer palavras que a minha boca já esqueceu. Palavras que jurei não mais pensar, palavras que julguei terem morrido.
Queria falar-te da cor do teu riso e do arco-íris que te envolve e me envolve.
Queria falar-te da melodia do teu beijo. Queria falar-te deste sentimento que cada dia que passa cresce, cada dia que passa se transforma e ganha corpo e começa a dominar o meu peito, os meus sentidos, o meu desejo.
Escrevo-te esta carta para te pedir que decifres este tormento que tantas vezes me leva à loucura, ao êxtase como à mansidão, à calmia.
Podia ter começado esta carta por uma frase simples, que sei que existe mas que nunca julguei encontrar no meu dicionário.
Peço-te, então, nesta carta, que me alumies o meu caminho, que sejas tu a pessoa que acompanha os meus passos, que sejas tu a pessoa que sobe as mesmas montanhas que eu e que se refresca nas águas calmas da minha vida.
Levei tanto tempo a escrever esta carta mas afinal as palavras que julgava perdidas, amorfas e inexistentes, estavam tão à vista, tão pertinho do teu peito, tão juntinho do teu coração.

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

E cá estamos nós! Na 1.ª segunda-feira de 2010 e não fugindo à regra do síndrome do 1.º dia de trabalho da semana....assim tipo, ressaca!

Para além de ter de aturar este meu ânimo e que para a maioria dos que convivem matinalmente comigo, lhe chamam mau humor, ainda tenho de ouvir o grasnar de entusiasmo do pessoal nas suas histórias, qual epopeias, sobre a sua passagem de ano. Ao passo que muito boa gente detesta o natal, eu pessoalmente detesto a passagem de ano. Por nada em especial, por nada que me tivesse marcado de forma negativa esta comemoração. Mas simplesmente detesto. E detesto ainda mais quando este facto é usado aqui no meu belo local de trabalho como competição, do tipo, quanto mais piroso for mais chique é. Não critico - e longe de mim isso - quem festeja em grande a passagem de ano....mas critico o que os leva a festejar. Muitos não o fazem por eles próprios, por um gosto pessoal ou por puro divertimento. Apenas o fazem e vão para determinados sítios porque está na moda, ou é chique, ou é in (vá-se lá saber porquê)....

Enfim, fora este badalejar todo, desejo-vos um excelente 2010 e se não for melhor que o ano que passou, que seja no mínimo igual. E nunca se esqueçam que apesar de todo o dramatismo e pessimismo que muitas vezes olhamos a nossa vida, lembrem-se que há sempre alguém pior que nós...e não é por isso que baixam os braços e deixam de lutar!













quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

Feliz Ano de 2010


Porque hoje é a última quinta-feira e precisamente o último dia de 2009, desejo a todos vós um próspero ano novo. Cheio de todas aquelas coisinhas que nós necessitamos e que dizemos sempre...

Até para o ano!

quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

Hummmm....


Ontem, a Princesa agarrou-se ao meu pescoço e num abraço muito apertado disse-me:
"Ai mamã, gosto tanto de ti! Como daqui até à lua e da lua até aqui!"

E eu que não achava piadinha nenhuma à música do André Sardet!

terça-feira, 29 de dezembro de 2009

Acabaram de me oferecer um bonsai


E no bilhete que o acompanhava estava escrito: "Porque tem a tua cara!"



Eu julgo que isto foi escrito no "bom sentido" (ainda estou a analisar qual), mas nunca me vi com cara de bonsai! Juro...

domingo, 27 de dezembro de 2009

Um pequeno conto


Estava ansiosa. Talvez por ser o primeiro natal que iria ser passado em sua casa, talvez porque todos estivessem na espectativa do que iriam encontrar, talvez apenas porque estava finalmente a concretizar um desejo que há muito se havia perdido: reunir toda a família.
Já passavam das 19h00 e ainda ninguém chegara. Ela, vestiu o longo casaco preto e saiu à rua. Estava deserta, e a notar-se pelo vapor que saía de sua boca, conseguia bem perceber. Sentiu um arrepio percorrer-lhe a espinha e aconchegou o casaco ao pescoço. De mãos ao peito, olhou para o céu e quase não conseguiu vislumbrar estrelas. A noite estava escura. Deu uns passos e saiu do seu pequeno jardim, que ficava em frente à sua casa. O cheiro a lume pairava no ar. A aragem da noite, molhava-lhe a face e os cabelos. E ela, tentava ver alguém conhecido, que o seu destino fosse a sua casa.

Fizera correr pela sua cabeça durante uns rápidos segundos, as coisas que já fizera e que afinal não se esquecera: o pai não gostava de bacalhau e ela preparara-lhe o seu prato favorito; o espumante estava no frio para bebericarem quando passassem aos doces, o vinho tinto tal como o branco foram criteriosamente escolhidos, ou não vivesse ela na esplêndida região de vinhos maduros. A sua mãe adorava arroz doce. E ela, apesar de pouco saber elaborar doces, estivera até de madrugada, que era quando tinha mais sossego, a preparar delicadamente, o arroz doce.
A mesa.....ah a mesa! Tinha tirado a sua melhor toalha, o seu melhor serviço e o seu faqueiro - que ela achava que nunca tinha sido usado. Uma decoração muito simples mas requintada.

Os presentes eram personalizados. Bastava olhar para cada um dos seus familiares e conseguia perceber com bastante clareza o que cada um gostaria de receber: para o pai um casaco de lã, para a mãe um xaile, para a irmã um livro...e para aquela pessoa especial, um perfume. E era sempre o mesmo perfume. Sim, porque era aquele perfume que ficava nos lençóis e na almofada, quando de madrugada ele saía de sua casa. Sim, aquela casa que agora esperava todas as pessoas que lhe percorriam pela cabeça. E com este pensamento final, ouviu ao longe a voz familiar de seu pai. Aí estavam eles.
"Aqui fora com este frio, rapariga!? Anda para dentro!"

E assim, fora o primeiro natal do que ela esperava ser o primeiro de muitos mais.